sábado, 5 de novembro de 2016

A tua ausência

A tua ausência dói
Como um corte na pele
Como carne viva
A tua ausência dói
Deixa tudo cinza
Deixa tudo triste
A tua ausência dói
Fica tudo vazio
Fica tudo sombrio
A tua ausência dói
Em mim falta um pedaço
Falta o ar, falta o chão
A tua ausência dói
E sufoca meu coração

Porto Alegre, 02/11/2016
Em homenagem à minha amada vóca Erciliany

Autoria: Daniela Annes Spera

Cadeira Vazia

A tua cadeira está vazia
A mão que sempre me apoiou não está
O colo que sempre me acolheu não está
A tua cadeira está vazia
Não há a segurança
Não há o aconchego
A tua cadeira está vazia
Não há música
Não há palavra
A tua cadeira está vazia
É só dor e solidão
E, debaixo de meus pés, se abre o chão

Porto Alegre, 26/10/2016

Em homenagem ao meu amado Zizi
Autoria: Daniela Annes Spera

De volta!

Nossa... Quanto tempo! Vamos tirar o pó disso aqui... rsrsrs
Tanta coisa tem acontecido nos últimos tempos e o blog ficou mesmo bem esquecido. Sem contar que mídias como Facebook, Instagram e Twitter acabam sendo mais fáceis e mais imediatas. Mas, dentro do possível, vou me propor a retomar as atividades por aqui.
Além disso, eu também andava numa fase "seca" de inspiração, pelo menos para os textos mais "poéticos", por assim dizer... Mas, há poucos dias, produzi dois textos de que gostei muito e, então, fiquei motivada a voltar para cá. Vou começar publicando esses dois textos e torcendo para que a inspiração volte a me acompanhar.
Um lindo final de semana para todos nós!

quinta-feira, 4 de junho de 2015

(Um pouco) Das coisas que amo em Buenos Aires

Se fosse fazer uma lista de todas as coisas que eu amo em Buenos Aires, certamente seria interminável, sempre teria mais alguma coisa a acrescentar. Mas não custa tentar; afinal, na minha mente e no meu cotação, essa lista já existe. Então, vamos lá!


Das coisas que eu amo em Buenos Aires:
1. Caminhar pelas ruas
Caminhar por Baires é uma delícia. A cidade é toda plana e muito fácil de mapear e compreender. Caminhar aqui é tão gostoso que nem nos damos conta da distância e tudo acaba parecendo perto. Além disso, é seguro caminhar, inclusive de noite.
2. O metrô - Subte
Andar de subte é uma delícia. Fácil, rápido, barato. E seguro.
3. As livrarias
Uma em cada esquina. 
4. Os cafés
Um em cada esquina. Para beber, comer, conversar, ler, pensar, viver!
5. Os teatros
Um em cada esquina. É possível assistir a um espetáculo diferente a cada noite. Para todos os gostos e bolsos.
6. A arquitetura
Uma atração à parte. Buenos Aires é mesmo a Paris da América do Sul.
7. A vida cultural
Museus, bibliotecas, galerias, centros culturais por toda parte. Sempre há programação variada, exposições e shows interessantes.
8. Os restaurantes
Além da comida ser deliciosa, os horários são bem flexíveis. É possível almoçar perfeitamente às 15 ou 16 horas. E também jantar bem tarde. 
9. As empanadas
Ah, as empanadas... E as melhores da cidade, na minha opinião, são as da La Morada, no Centro, e as do El Sanjuanino, na Recoleta.
10. As medialunas
Outro clássico portenho. Salgadas ou doces, sempre deliciosas. Há muitas opções, mas as mais gostosas, na minha opinião, são as do Café Rivas, em San Telmo.
11. As pizzas
As pizzas são um capítulo à parte. Minhas prediletas são as da Guerrín e as do Los Inmortales, ambas na Corrientes, e as do El Cuartito, na Talcahuano. Meu sabor predileto é napolitana.
12. As parrillas
Bife de chorizo e Ojo de bife são delícias obrigatórias. Minha parrilla predileta, sem concorrência, é El Establo, no Centro.
13. As massas
Buenos Aires teve muita imigração italiana e, portanto, a gastronomia italiana na cidade é forte e muito bem representada. Meu restaurante italiano predileto é o Broccolino, no Centro.
14. As milanesas
Vir a Buenos Aires e não comer milanesas é um pecado. Há várias e deliciosas opções pela cidade. Porém, para comer bem e pagar um bom preço, minha dica é o Paluchino Café, na Riobamba esquina com Avenida Corrientes. Peça uma milanesa napolitana com papas fritas.
15. O doce de leite
Dispensam maiores comentários. Tão delicioso quanto o doce de leite uruguaio.
16. Os vinhos
Vinhos excelentes a excelentes preços. Para todos os gostos. Meus prediletos: Bodega del Fin del Mundo, Pulenta, Nieto Senetier, Catena Zapata, San Felipe... São tantos!
17. O tango
Amo ouvir tango! Acho que é uma trilha sonora que combina com quase tudo na vida. De Piazzolla a Narcotango, (quase) tudo me encanta!
18. Evita
Falem o que quiserem, mas, sim, eu admiro muito a Evita. 
19.  Ricardo Darín
Acho que é o único homem neste mundo capaz de despertar meu lado tiete.
20. Tickets Bs As
Um quiosque que concentra a oferta de espetáculos da cidade e concede um desconto de 50% para os ingressos do dia.
21. O idioma
Acho o espanhol lindo! Gostoso de ouvir e de falar.
22. Canal (à)
Canal de televisão com excelente programação cultural.
23. Feria Puro Diseño
Acontece anualmente, geralmente no final de maio, e reúne o melhor em termos de design e criatividade. Para conhecer as novidades e fazer boas comprinhas.
24. As Tiendas de Diseño (lojinhas)
Inúmeras lojinhas pela cidade que vendem coisas bacanérrimas e com bons preços (se compararmos com os preços do Brasil). Minhas favoritas: Artentino (vários endereços pela cidade - Avenida Callao, Avenida de Mayo, etc), La Aldea (Avenida Santa Fe), Regalalo (Avenida Callao), Oh My Love e Tienda Palacio (Defensa).


Certamente essa lista seguirá aumentando infinitamente porque jamais me canso de Buenos Aires. É meu lugar no mundo. Onde me sinto verdadeiramente em casa. Desde a primeira vez em que pisei o solo portenho, há mais de quinze anos, a cidade me encantou, me conquistou. Foi paixão e amor à primeira vista e se converteu numa relação sólida, pois retorno sempre que posso com regular frequência. Meu sonho, que um dia se tornará realidade, é morar aqui. Sei que vou realizá-lo, é apenas questão de tempo. Nessa atual temporada aqui, percebi mais claramente porque amo Baires. Simplesmente porque aqui se sabe viver. Os portenhos sabem desfrutar a vida. E esse é mais um forte motivo para me identificar. 



Antigamente, (quase) todos costumavam me dizer que meu amor por Buenos Aires acabaria, ou diminuiria, quando conhecesse Paris pois certamente me apaixonaria por Paris. Pois bem, conheci Paris há quatro anos durante minha lua de mel. Realmente, Paris é encantadora e apaixonante. Tem seus muitos encantos e, é claro, eu também voltaria muitas vezes a Paris. Porém, Paris não foi capaz de substituir ou de diminuir meu amor por Baires. Meu lugar no mundo continua sendo Buenos Aires, meu amor continua sendo total e exclusivo de Baires.


E, sempre que se aproxima a hora da partida, como agora, meu coração se entristece. E já começo a fazer planos para a próxima vinda. Afinal, não há nada melhor do que estar onde me sinto em casa!

domingo, 12 de outubro de 2014

Política–Bolsa Família

Eu tenho me mantido neutra e silente durante todo esse processo eleitoral, apesar de já ter me manifestado sobre política em outras ocasiões por aqui, porque tenho entendido que esse não é o fórum adequado e porque tenho percebido que as pessoas agem e reagem com paixão sobre o assunto, passando por cima da razão e do respeito pelas opiniões diversas. Dessa forma, chancelam o ditado popular que diz que “sobre política, futebol e religião, não se discute”. Eu acredito piamente que a diversidade de posicionamentos e opiniões, bem como o respeito por elas, são elementos imprescindíveis para uma real democracia e também são motores para a construção de um país melhor. É preciso respeitar as opiniões diferentes das nossas e sempre se posicionar, se optarmos por fazê-lo, de uma forma respeitosa e racional. Para ilustrar o que digo, já surgiu uma livre adaptação de belo verso, dizendo que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse eleições”. Porém, hoje, não sei exatamente o motivo (pois já li inúmeros comentários sobre e nunca quis me manifestar), senti vontade de me manifestar sobre um assunto: o Bolsa Família. Entendo que há muita confusão sobre esse assunto. Vejo pessoas criticando duramente quem critica o programa, argumentando que são trabalhadores que se travestem como classe dominante que não são e criticam o programa porque querem que as pessoas retornem a uma condição de subalternidade, ou que criticam porque nunca enfrentaram dificuldades na vida, e demais argumentos que seguem essa linha de raciocínio. Pois eu critico o programa Bolsa Família. Sou trabalhadora, não sou classe dominante e não sou contra o programa Bolsa Família. Apenas sou contra a forma como o governo, há anos, conduz e administra esse programa.

O Bolsa Família, na minha opinião, é extremamente necessário como um primeiro auxílio, para retirar as pessoas de uma situação precária, para melhorar suas condições e para dar dignidade, pois ninguém consegue aprender ou trabalhar desnutrido, por exemplo. Porém, penso que, concomitantemente, é necessário haver meios e ferramentas (programas) de estímulo e incentivo para que essas pessoas cresçam e se aprimorem, despertem o desejo de impulso, de querer aprender e crescer para seguir conquistando cada vez mais e melhores condições e, para tanto, é necessário que tenham acesso à educação, à saúde, à segurança e a oportunidades de inserção no mercado de trabalho. A minha crítica é no sentido de que não me parece que o governo faça isso ou seja esse o objetivo real do governo. Pelo contrário, me parece que o governo subjuga essas pessoas através do programa, fazendo questão de mantê-las dependentes do programa. E dependência gera alienação, duas coisas que são exatamente o que não desejamos a ninguém. Portanto, eu, trabalhadora, quando critico esse programa, o faço justamente por acreditar que as pessoas podem e merecem mais, podem e devem crescer e ter cada vez mais e melhores condições e não admito, por considerar desumano e incabível, que as pessoas sejam subjugadas dessa forma. Mas é apenas a minha humilde opinião e quis manifestá-la porque penso que são motivos de crítica que nunca ganham voz, pois não vejo as pessoas justificarem suas críticas dessa forma, e precisam ganhar voz para que se entenda que algumas pessoas que fazem críticas não são necessariamente contra o Bolsa Família, mas acreditam que o programa possa ser aprimorado justamente para atingir o objetivo que parece ser comum: que todo cidadão possa ter cada vez mais e melhores condições e possa ter acesso à educação, à saúde, à segurança e ao mercado de trabalho.

Enfatizo, novamente, que eu respeito todas as opiniões e posicionamentos porque acredito que é essa diversidade necessária que assegura uma real democracia. Sei que, no momento em que me manifestei publicamente sobre o assunto, estou sujeita a receber comentários e acho muito salutar, apenas peço encarecidamente que sejam feitos com respeito de forma a contribuir para um debate realmente construtivo. Um bom domingo a todos!

domingo, 5 de outubro de 2014

Parece um sonho–Mário Quintana

 

Parece um sonho que ela tenha morrido! diziam todos...
Sua viva imagem tinha carne!... E ouvia-se, na aragem,
passar o frêmito do seu vestido...

E era como se ela houvesse partido
e logo fosse regressar de viagem...
- até que em nosso coração dorido
a Dor cravava o seu punhal selvagem!

Mas tua imagem, nosso amor, é agora
menos dos olhos, mais do coração.
Nossa saudade te sorri: não chora...

Mais perto estás de Deus, como um anjo querido.
E ao relembrar-te a gente diz, então:
Parece um sonho que ela tenha vivido!

Mário Quintana - 1953

Trinta dias…

Vóca amada, faz um mês que nos deixaste fisicamente. Sinto muito a tua falta todos os dias e creio que será assim enquanto eu viver. Porém, tenho certeza de que continuamos juntas, de uma outra forma. Depois do teu AVC, já tínhamos aprendido uma nova forma de nos relacionarmos, pois não podíamos mais ter as nossas longas e alegres conversas, sempre divertidas, mas também sérias quando o assunto demandava. Aprendemos a conversar de outra forma. Agora, estamos aprendendo de novo uma nova forma de nos relacionarmos: eu aqui no mundo físico e tu aí no mundo espiritual. Sinto a tua presença sempre e posso sentir a tua doçura e o teu amor, como sempre senti. E sigo conversando contigo todos os dias e também nas minhas orações. Eu só posso agradecer pelos 84 anos saudáveis que tu tiveste e que foram vividos plenamente. Tenho muita dificuldade para entender porque sofreste esse AVC e porque tiveste que passar por tantas limitações depois disso, mas imagino que deva existir alguma explicação além do meu entendimento. Agradeço por ter compartilhado contigo os meus 36 anos de existência e por ter tido sempre o teu amor, o teu carinho, o teu cuidado, o teu apoio, a tua amizade. Agradeço por ter recebido tantos ensinamentos, uma bela herança que levarei sempre comigo. Agradeço por ter sido sempre grata a todo esse amor e por ter tido a oportunidade de te retribuir te dando também muito amor em todos os momentos. Nos deixaste aos 85 anos, há um mês. Deixaste um vazio; porém, sempre o preencho com o nosso amor, que vai me amparar por toda a minha vida, e com todos os teus ensinamentos. Tenho certeza de que continuamos juntas e sempre continuaremos. Essas fotos contam um pouquinho da nossa história e sempre que as vejo lembro com ainda mais força de todos os bons momentos que vivemos e fico feliz por ter esse grande legado de belas e felizes lembranças. Te amo!

PS.: As fotos referidas no texto foram publicados no meu perfil pessoal do Facebook.