Além de satisfazer o desejo de escrever que me consome (de forma egoísta, não nego), e, é claro, de demonstrar o quanto sou moderna (afinal, é um blog!), o objetivo aqui é tratar dos mais diversos temas e assuntos, sem nenhum critério rígido estabelecido, dando vazão apenas à emoção e à razão (será que, em algum momento, essas duas andam juntas?), e compartilhar tudo isso com as pessoas amigas e queridas e com quem mais quiser ler e acompanhar o que for escrito.
quinta-feira, 18 de junho de 2020
.......
Formação
...
Sobre café e amor
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Sol, mar, sal e amor
Ele carioca. Ela gaúcha. Se conheceram no trabalho. Em Porto Alegre. Ele se apaixonou à primeira vista. Ela precisou de um pouco mais de tempo. Entre as afinidades, ambos não gostavam de frio. Muito menos do rigoroso frio gaúcho. Ele sonhava em morar em Cabo Frio, perto do mar. Tinha medo de que ela não quisesse ir pois sabia o quanto ela gostava de morar na capital gaúcha. Porém, contava a ela sobre todos os encantos da cidade litorânea: a brisa do mar, o sol sempre a brilhar, a vida leve. Ela foi se convencendo. Sonhou junto com ele imaginando essa vida paradisíaca. Foram transferidos, fizeram a mudança, compraram casa, se estabeleceram. A vida ia sendo embalada pela brisa. Até que uma noite, ao som de uma chuvinha leve, assistiam a um filme na televisão aberta. Na cena final, faltou luz. Ele estourou, revoltadíssimo. Discursou, gritou, xingou até não mais poder. Ela quieta, observando, surpresa, boquiaberta.
Ela: Amor, você não acha que está reagindo exageradamente? Será que é tão importante assim o fato de ter faltado luz na cena final do filme? Você não acha que está exagerando?
Seguiram-se alguns segundos de silêncio... Só se ouvia a chuva lá fora.
Ele: E você já reparou a droga de cidade em que estamos vivendo?
Um silêncio estarrecedor precedeu o riso que correu solto quando ela entendeu. Ele vinha guardando um descontentamento com uma série de coisas que a cidade não oferecia, com uma série de ausências que ele julgava importantes e que só teve conhecimento quando tornou o sonho em realidade. Ele não podia compartilhar esse sentimento com ela. Afinal, ele a tinha convencido a se mudar e ela o seguira por amor. Como ele poderia confidenciar que talvez morar lá não fosse tudo o que ele sonhava? Foi ela, então, que dividiu com ele um sentimento. Já estava apaixonada por Cabo Frio. Concordava com as ausências que ele sentia. Ela também as sentia. No entanto, eram ausências que poderiam ser relevadas, pois a vida estava repleta de presenças: de sol, de mar, de sal, de amor.
**************************************************************
Escrito em Porto Alegre, em 20 de dezembro de 2013, em homenagem a um queridíssimo casal de amigos, Luiz e Liege, de quem obtive aprovação para publicação. Muito amor para vocês sempre!
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Dia da Saudade
| Dannes, num longíquo verão da década de 80, em Rainha do Mar (antes de adotar Capão Novo como sua praia de veraneio favorita no litoral norte gaúcho) |
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Deus existe e é piadista
Cena 1
Jovem casal vai ao shopping fugindo da doméstica conversadeira. Sentam na área de alimentação para tomar um suco.
Mulher: Percebo que estou gostando cada vez menos de interagir com as pessoas. A comunicação é muito melhor quando virtual. Por isso, sou fã de e-mails.
Marido: Estás virando uma misantropa.
Cena 2
Após visitarem algumas lojas e efetuarem algumas compras, o casal resolve almoçar. Na mesma área de alimentação, após ter pedido seu peixe com legumes, a mulher procura uma mesa para sentar-se enquanto o marido se serve no buffet.
No meio do alvoroço, a mulher encontra uma mesa e se senta. Em menos de um minuto, o senhor sentado à mesa ao lado puxa conversa.
Senhor: Nossa, quanto movimento nesse shopping. Primeira vez que venho aqui, mas estou surpreso com o movimento.
A mulher sorri e concorda.
Senhor: Sabes que eu gosto de pescar? Esses dias, fui pescar. Não vais acreditar, pesquei uma tartaruga. Meus amigos perguntaram que tamanho tinha a bicha e eu, muito brincalhão, respondi que era do tamanho de um fusca.
A mulher, que detesta ser indelicada, sorri e murmura qualquer coisa. Nesse momento, apreensiva, torce para que o marido chegue logo com esperança de que ponha fim à conversação.
O marido, enfim, chega, mas o senhor não se intimida e continua conversando. Conta que é motorista profissional, que está aposentado, que gosta de viajar. Narra diversas aventuras da época em que cruzava o estado dirigindo um ônibus de turismo.
A mulher, a essas alturas, já teve que responder ao senhor algumas vezes, sempre sorrindo. O marido também não teve muita escolha e se integrou à conversa. E ambos almoçando enquanto o vizinho conversador tomava calmamente um chopp e contava suas histórias.
Findo o almoço, a mulher o marido se despedem do vizinho de mesa que lhes deseja boas festas. Retribuídos os votos, a mulher e o marido se afastam. A mulher já convencida de que Deus existe e é piadista.
domingo, 16 de outubro de 2011
Jardim…
Sozinha e perdida num vasto jardim. A beleza das flores distraia-lhe o olhar, um aroma delicioso capaz de acalmar a alma, cores e cores e cores. Porém ela não esquecera que precisava seguir. Reservou alguns instantes para pensar. Os girassóis pareciam lhe sorrir. No entanto, decidiu seguir a trilha das azaléias, sempre lhe agradara mais os tons violáceos. Lembrou dos pequenos vasos floridos na varanda de casa. Tivera uma infância feliz. Como pudera se perder? Sentiu os sapatos apertarem os pés e, de novo, um aroma adocicado lhe invadiu os pulmões. Percebeu, então, que já estava na trilha das rosas. Começou a recordar que já andara por ali. Não se tratava mais de um caminho sem fim, como antes julgara, e não deveria tardar a encontrar seu lugar.
Dannes – 02 de outubro de 2011
domingo, 2 de outubro de 2011
Da janela…
Da ampla janela, ela avistava o mar. Podia sentir o cheiro da areia molhada, ouvir o barulho das ondas. Podia sonhar. Imaginava quantos barcos teriam cruzado aquelas águas, quantos casais teriam trocado juras de amor avistando aquele mesmo horizonte. Enquanto esperava, divertia-se criando essas histórias, decidindo esses destinos. Quantas conchas teriam sido pegas pela menina de cachos dourados que corria pela orla? Passou horas nesse imaginário até que o sol se pôs. E como era bela a lua que começava a iluminar a noite. Sequer sentia o tempo correr. E só percebeu o quanto era tarde quando sentiu aqueles braços fortes tão conhecidos lhe envolverem.
domingo, 12 de dezembro de 2010
A saída
Sentado às margens do rio, olhando o horizonte, ele pensava em sua vida, em sua trajetória. Como chegara até ali? Valores perdidos, amizades desfeitas, solidão. Estava cercado sim, mas de pessoas que nada significavam. Pessoas que apenas desejavam o bajular para obter vantagens e para quem muito provavelmente ele também nada significava. Mas fora ele quem optara por esse caminho. Fora ele quem decidira pela ganância. Não poderia culpar mais ninguém. Somente ele dera os passos que o conduziram àquele ponto. Ele abdicara de valores morais, abandonara qualquer escrúpulo, com vistas a alcançar o que julgava mais desejar: sucesso e riqueza sem fim. Agora percebia que sucesso e riqueza talvez não fossem o que ele outrora pensara. Havia custado seus amores, sua família, seus amigos. Sentia que as pessoas lhe respeitavam não porque verdadeiramente merecesse, mas somente porque ele tinha o poder. Sentia-se feio e sujo, como jamais imaginara. Precisava pôr fim àquele sofrimento que lhe corrompia uma alma que sequer sabia ter. Abriu a maleta que repousava a seu lado. Estava escurecendo e tudo silenciava ao seu redor. Somente se ouviu o forte estampido. E o rubro de seu sangue coloriu o horizonte.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Retomando a produção
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Sonhar
sábado, 18 de setembro de 2010
Pecado
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
A rosa e o espinho
domingo, 27 de junho de 2010
Ela estava perdida, tentando voltar para casa. Pés descalços sobre a terra, sonhos desnudados e um olhar atento na busca de seu caminho. Passos, passos infinitos, cansaço, inquietação. Então, ela desperta um pouco assustada. Reconhece seu espaço e sua aflição. O relógio lhe avisa que o dia ainda não amanheceu. Ela fecha os olhos e tenta novamente adormecer. Respira profundamente, tenta aquietar-se. Ela sabe que está em casa.
domingo, 18 de abril de 2010
...
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Dúvida
Aline fez força para levantar-se. Já era tarde, mas, felizmente, era domingo e ela não tinha nenhum compromisso. Calçou os chinelos e caminhou vagarosamente até o banheiro. Lavou o rosto e sentiu a água fria que parecia querer despertá-la, reanimá-la. Olhou no espelho e viu sua face. Já não sabia mais se poderia se reconhecer. Era ela mesma? Ou era apenas o que deveria ser? Parecia pálida, lábios com pouca cor, fios levemente loiros caindo sorrateiramente sobre seus olhos azuis e perdidos que vagavam junto com seu pensamento, talvez buscando algum refúgio. Tentou sorrir, não conseguiu.
Aline voltou ao quarto para vestir-se. Escolheu um vestido floral, na tentativa de disfarçar o que lhe corrompia a alma. Escovou os cabelos e os prendeu com um laço. Pingou algumas gotas de lavanda nos pulsos e no pescoço. E novamente tentou sorrir. Dessa vez, timidamente os lábios se movimentaram. Ela, então, fechou os olhos e respirou profundamente, inspirando o ar com todas as suas forças, e tentando expirar tudo o que doesse ou ferisse.
Com passos imprecisos, avançou pelo corredor que nunca lhe parecera tão comprido como naquela manhã. Enquanto passava pelas imponentes portas que habitavam o frio corredor, quis estar sozinha. Desejou que não houvesse ninguém em casa. Desejou apenas o silêncio. Há dias que são assim, há dias em que nada precisa ser dito.
Alcançou o pequeno vestíbulo que precedia a escada. Desceu calmamente os degraus. Não havia sequer um aroma vindo da cozinha que lhe invadisse os sentidos. Tudo estava escuro. Passou a temer que realmente estivesse sozinha. Mas, afinal, não era o que acabara de desejar?
Aline entrou na sala e passou os olhos pelos vasos de flores. Rosas vermelhas que pareciam úmidas, como recém colhidas. Na lareira, o fogo ainda parecia arder em pequenas brasas. Aproximou-se da janela e avistou o jardim. A chuva caía mansa, fraca, quase sem força. Onde estariam todos afinal?
Não havia música, somente o barulho da água molhando a grama por onde muitas vezes havia corrido e sonhado. Desejou voltar no tempo, desejou não saber ou não entender. Lembrou das longínquas tardes em que brincava entre os rosais. Sentiu o aroma de jasmim das árvores próximas ao portão. Sentiu o gosto do refresco de limão que amenizava o calor daquelas tardes inocentes de verão.
Aline deixou-se cair sobre a poltrona. Não adiantava o vestido, não adiantava a lavanda. Nem as lembranças que percorreram sua mente foram capazes de fazê-la sorrir. E, então, ela compreendeu. Não era que não mais amasse e sim que sua maneira de amar havia se modificado.
Capão Novo, 08 de fevereiro de 2010.
Daniela Annes Spera
