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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Uma experiência arrebatadora

Faz tempo que não venho compartilhar minhas impressões sobre algum espetáculo, apesar de estar sempre presente na platéia conferindo o que rola por puro amor e prazer. Ontem, porém, passei por uma experiência arrebatadora ao assistir à estréia de “A Vertigem dos Animais Antes do Abate” no Theatro São Pedro. Tão arrebatadora que senti necessidade de compartilhar.

Não via um trabalho teatral tão bom há tempos. É notória e emocionante a entrega dos atores às personagens. Tanto que eu imagino que eles terminem o espetáculo esgotados tanto física quanto emocionalmente. E nós, a platéia, chegamos ao fim do espetáculo encantados, arrebatados.

Infelizmente, na saída do teatro, no elevador da garagem, alguns casais que desceram conosco comentavam negativamente a peça. Inclusive, perguntaram a mim e ao meu marido se havíamos gostado ao que prontamente respondi que sim, muito. E logo vi narizes torcidos para mim… Os comentários diziam que a peça era doentia e uma das senhoras disse que nem ia conseguir dormir direito. Uma pena que não tenham conseguido captar a mensagem…

Realmente o espetáculo pode ser chocante para algumas pessoas pois trata da selvageria humana, daquilo que nos é mais primitivo, dos instintos. No entanto, o que o público precisa entender é que o fato de tais situações serem encenadas não significa que está sendo feita uma defesa desses comportamentos. Apenas está sendo retratada, como já disse, a selvageria humana, nosso lado mais primitivo. Talvez, se não tivéssemos tantos filtros, se não fôssemos civilizados, se todas as regras,  se todos os valores morais, se o ego e o superego saíssem de cena, nós agíssemos assim. Ou seja, seria o reinado do id. Talvez essas poucas pessoas que desceram conosco no elevador do estacionamento não tenham conseguido fazer essa leitura. Sinto muito por elas. Eu dormi muitíssimo bem, ainda encantada e tocada pelo belíssimo trabalho a que tinha assistido. E é justamente essa a maior beleza do teatro: tocar o público, provocá-lo, emocioná-lo. Missão cumprida com louvor!

A peça mostra uma tragédia grega (literalmente, com todos os elementos típicos) porém contemporânea. As atuações dos atores são brilhantes! A entrega dos atores às personagens é total e linda de se testemunhar. Inclusive, lembro de ter pensado durante o espetáculo no quanto era impressionante ter sido reunido um elenco tão perfeito, de tamanha qualidade. Atores bastante conhecidos do público, como Marcelo Ádams e Ida Celina, e outros nem tanto (pelo menos, menos conhecidos para mim), mas todos excepcionais e talentosíssimos! Cada um ocupando o seu devido lugar e, assim, fazendo um belíssimo trabalho de equipe, tal qual o teatro deve ser.

A montagem está mesmo maravilhosa! O cenário é simples e dinâmico, cumprindo seu papel e deixando que as emoções exploradas pelo texto e pelas brilhantes atuações reinem absolutas. A direção é de Luciano Alabarse, que dispensa maiores comentários ou apresentações, e de Margarida Peixoto. Para completar, a música casa perfeitamente com a ação na bela voz de Muni e com o piano de Everton Rodrigues.

O texto original é do grego Dimitris Dimitriádis e nunca havia sido montado no Brasil. Só o título já conquista: “A Vertigem dos Animais Antes do Abate”, mas havia tantas passagens interessantes que eu juro que senti vontade de abrir a bolsa, puxar papel e caneta e anotar algumas frases. Um exemplo: “As perguntas são os alicerces do mundo. Por isso mesmo devem ficar sem respostas.”

Eu amei! Dou nota máxima, recomendo e assistiria outras vezes com toda a certeza. Felicidade é teatro de qualidade!

Meu único pitaco seria quanto ao desfecho do espetáculo… Minha cabeça ficou imaginando que seria bastante interessante que no momento em que o personagem Nilos Lákmos diz a seguinte fala, na beira do palco, encarando o público: “Eu sou Nilos Lákmos. E vocês quem são?”, poderiam se apagar todas as luzes e terminar o espetáculo. Acho que seria impactante, arrebatador mesmo (mas, claro, é apenas minha humilde, leiga e delirante opinião). Afinal, para mim, esse é o grande lance da peça: você domina os seus demônios ou permite que eles dominem você?

Daniela Annes Spera – Porto Alegre, 04 de julho de 2014

#avertigemdosanimaisantesdoabate

 

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A Vertigem dos Animais Antes do Abate

Texto de Dimitris Dimitriádis

Direção de Luciano Alabarse e Margarida Peixoto

Elenco: Marcelo Ádams, Ida Celina, Elison Couto, Pingo Alabarce, Gustavo Susin, Áurea Baptista, Mauro Soares, Plínio Marcos Rodrigues, Alexandre Magalhães e Silva

Participação Especial: Muni e Everton Rodrigues

Theatro São Pèdro – de 03 a 13 de julho de 2014

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Apoiando o The Nu Project

Já falei sobre o The Nu Project aqui, um projeto muito bacana que se dispõe a mostrar a beleza em todas as formas do casal de fotógrafos Matt Blum e Katty Kessler. Mulheres comuns, inclusive brasileiras, posam nuas para as lentes dos fotógrafos. Pois agora eles estão arrecadando fundos para a publicação do livro contendo as belas imagens capturadas ao redor do mundo, através do Kickstarter.

Como eu apoio o projeto e o conceito envolvido, como vocês já devem ter percebido pelo texto publicado anteriormente, fiz questão de contribuir. E divulgo aqui no blog para que você também possa contribuir! Assista o vídeo e depois clique aqui para fazer a sua parte!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Beleza em todas as formas

Um dos projetos mais bacanas de 2012 é o Apartamento 302, trabalho de uma beleza ímpar da autoria do fotógrafo brasileiro Jorge Bispo.

Jorge Bispo é carioca, formado em Artes Plásticas pela UFRJ, professor da Escola de Fotografia do Ateliê da Imagem e trabalha com retratos, ensaios, moda e publicidade. Bispo cresceu cercado pela arte, pois vem de uma família de atores e diretores de teatro, e começou a despertar o gosto pela fotografia ainda na adolescência.

O projeto Apartamento 302 consiste em fotografar mulheres comuns nuas. O cenário é clean, composto somente pelas paredes de um apartamento. Nada de corpos perfeitos, nada de celebridades, apenas a beleza real, verdadeira, crua.

É um trabalho belíssimo, revelador e libertador, pois nos mostra que há beleza em todas as formas. Toda mulher é bela. É um trabalho poético. Vemos mulheres distantes do cruel padrão de beleza imposto pela mídia, pela sociedade, orgulhosas de seus corpos, felizes, exibindo sorrisos lindos. E percebemos que a beleza não pode ser rotulada, que se manifesta em todas as formas e em todos os tamanhos, sejam grandes ou pequenos.

Parabéns a Jorge Bispo pelo seu belo trabalho e a todas as suas modelos, mulheres belas e corajosas!

Lydianne apartamento 302roberta apartamento 302suzana apartamento 302talita apartamento 302lais apartamento 302lucimar apartamento 302

Trabalho semelhante realiza o casal de fotógrafos norte americanos Matt Blum e Katy Kessler com seu The Nu Project. Blum e Kessler rodam ao mundo fotografando mulheres comuns nuas. O conceito é o mesmo do projeto de Bispo, porém o cenário contém mais elementos e as fotografias podem ser coloridas ou em preto e branco. Já houve uma edição do projeto no Brasil realizada em outubro desse ano. A idéia dos fotógrafos é lançar um livro com essas imagens. A beleza, a poesia e a importância do The Nu Project merece os mesmos elogios e comentários feitos ao Apartamento 302.

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Façam um passeio pela galeria de imagens de ambos os projetos e se encantem com a beleza democrática e corajosa dessas mulheres. E vamos torcer para que existam cada vez mais iniciativas como essas. Que cada vez mais as mulheres possam se libertar dos padrões cruéis que lhe são impostos e possam ser capazes de se amar exatamente como são.

Parabéns aos fotógrafos que nutrem a auto estima e o amor próprio dessas mulheres fazendo com que se orgulhem de suas formas, sejam pequenas ou grandes, e se sintam belas! O mundo agradece pela oportunidade de exercer um olhar mais benevolente para as diferenças e pela oportunidade de entendimento e compreensão da beleza real.

A beleza existe em todas as formas!

 

Todos os direitos das imagens reservados aos fotógrafos Jorge Bispo, Matt Blum e Katy Kessler.

sábado, 14 de abril de 2012

Strike a pose!

William Klein nasceu em 19 de abril 1928 em New York City. Apesar de ter estudado sociologia, tornou-se um fotógrafo renomado e também produtor de filmes.

Klein, cuja família tem origem judaica, se juntou ao exército americano e serviu na Alemanha e na França durante a Segunda Guerra. Quando foi dispensado, em 1948, acabou por se estabelecer na França e estudou pintura abstrata e escultura na Sorbonne. Em 1952, teve duas exposições de sucesso em Milão. Conheceu, em uma de suas exposições de escultura, Alexander Liberman, diretor de arte da Vogue, para a qual fotografou entre 1954 a 1966.

Em 1966, dirigiu seu primeiro filme chamado Who Are You, Polly Maggo?, art movie que retrata o mundo da moda e seus excessos satirizando-o, e, desde então, dirigiu muitos outros, incluindo o documentário Muhammad Ali: The Greatest, de 1969. Como produtor de filmes, sua especialidade são os documentários. Klein também dirigiu mais de 250 comerciais de televisão.

Como fotógrafo, Klein é notável, especialmente por se utilizar de técnicas fotográficas não usuais e se especializou em fotojornalismo e moda. É considerado o 25º entre os 100 fotógrafos mais influentes do planeta. Além disso, é tido como um dos pais da street photography junto de nomes como o do suíço Robert Frank.

Apesar de não ter estudado fotografia, ganhou seu primeiro prêmio em 1957, o Prix Nadar, por New York, um livro de fotografias tiradas durante um breve retorno a sua cidade natal em 1954.

Em poucos dias, William Klein estará completando 84 anos e merece ser reverenciado pelo seu belíssimo trabalho. Suas fotografias de moda, na grande maioria tiradas para a Vogue, conseguem transformar imagens de consumo em verdadeiras obras de arte. Seu fotojornalismo registra com beleza e verdade o cotidiano da vida em diversas cidades do mundo.

A tagarela que vos fala rende aqui sua pequena homenagem a esse grande fotógrafo, compartilhando algumas belas imagens captadas por suas lentes.

William Klein Anouk Aimee Paris 1961

WK Pont Alexander III Paris 1960WK Times Square Mirror NY Vogue 1962

WK Club Allegro Fortissimo Paris 1990

WK Tatiana Mary Rose and Camels Picnic Morocco 1958

 

Guia de Imagens:

1. Anouk Aimee, Paris, 1961

2. Pont Alexander III, Paris, 1960

3. Times Square Mirror, New York, 1962

4. Club Allegro Fortissimo, Paris, 1990

5. Tatiana, Mary Rose and Camels, Morocco, 1958

Fonte: Wikipedia e Jackson Fine Art

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Indescritível: Out of Context–For Pina

O espetáculo a que assisti hoje faz parte da programação do 18º Porto Alegre Em Cena e é absolutamente indescritível. Porém, vou tentar expressar em palavras um pouco do que senti presenciando tamanha beleza. Preciso dizer que o espetáculo me fez rir e também me levou às lágrimas e, por fim, saí do Teatro do Bourbon Country sem palavras.

Os bailarinos da companhia belga Les Ballets C de la B são muito competentes e talentosos. Técnica, expressão corporal, desenvoltura e presença de palco que merecem ser ovacionados.

Alain Platel, coreógrafo da companhia, presta homenagem à grande Pina Bausch. Eu diria que, em alguns momentos isolados da coreografia, sentimos e reconhecemos Pina, mas a homenagem reside na irreverência. Sim, irreverência é uma ótima palavra para esse espétaculo. E, para mim, a maior contribuição de Pina para a dança contemporânea é exatamente a irreverência. A irreverência pode ser leve e sutil ou visceral e tensa, mas sempre é bela.

Há pouco, li uma crítica que afirma que o espetáculo está descontextualizado da obra de Pina porque, nela, há suavidade e, na obra de Platel, há nervosismo. Eu, sinceramente, apesar de entender esse ponto de vista, não fiz essa leitura. Para mim, o espetáculo é visceral, explora a condição humana, a animaliza, e mesmo a banaliza (ou ridiculariza?).

Há momentos belíssimos na coreografia, momentos que podem ser traduzidos no reconhecimento da espécie humana, na identificação e aproximação entre as pessoas, no exibicionismo, na submissão, na euforia, na alienação, na solidão, no convulsionamento do mundo contemporâneo.

O espetáculo guarda muitas surpresas à platéia, algumas mais explícitas que outras, e também por isso merece elogios. Não caberia revelá-las, pois ainda resta uma apresentação a ser realizada amanhã.

Há muito tempo que um espetáculo de dança não me tocava tão fundo, embora eu tenha assistido a excelentes espetáculos. Há muito tempo, eu não vertia lágrimas na platéia de um espetáculo de dança. Para mim, vai ser difícil que outra atração do festival seja melhor que essa.

Platel conseguiu me convencer em sua homenagem à Pina, trouxe a força avassaladora de suas coreografias, a beleza crua das imagens e muita irreverência. Inovando, questionando, refletindo, em busca. Exatamente como Pina.

Arte em estado puro!

PS: Trilha sonora também merece elogios. Só ouvir Aisha – Khaled já vale a pena!

domingo, 21 de agosto de 2011

Música de Brinquedo! Pato Fu!

Música de Brinquedo é um projeto muito bacana do Pato Fu. O CD, que já toca na minha vitrola há tempos, é uma delícia. Todas as músicas foram gravadas com instrumentos musicais infantis e há um coro infantil em todas as músicas. Muito fofo!

A primeira vez que eu ouvi My Girl na versão deles fui às lágrimas. Sim, sou um ser muito emotivo, adoro essa música e as vozes das crianças… Foi demais para mim, o coração não aguentou e eu chorei de felicidade. Aliás, já postei um vídeo da música aqui no blog (veja aqui).

Quando soube que o Pato Fu ia fazer esse show em Porto Alegre, já me agendei e, no primeiro dia de vendas dos ingressos, fiz a compra na platéia baixa, segunda fila. Depois, foi só ficar naquela expectativa gostosa pelo dia do show.

Eis que o dia chegou: hoje! A primeira surpresa agradável foi ver o teatro cheio de crianças. Eu sabia que o trabalho também era direcionado ao público infantil, mas me surpreendi com a quantidade de crianças, o que me deixou muito feliz, pois significa que os pitocos estão ouvindo música de qualidade.

O show foi simplesmente divino, espetacular! Cenário muito bem pensado, ótimo trabalho da iluminação e toda a simpatia dos integrantes do Pato Fu. E, é claro, boa música! A emotiva aqui quase chorou em diversos momentos. Quando começaram os acordes de My Girl, então…

Outra coisa muito legal foi ver os instrumentos musicais infantis serem tocados. Impressionante, viu!

Ver as crianças curtindo, interagindo, dançando. Sensacional!

Não dá para deixar de dizer que todos os músicos são muito talentosos e que a Fernanda Takai é linda e muito simpática.

Nem a falta de energia elétrica que durou alguns minutos (aliás, como que o Teatro do Bourbon Country não tem gerador próprio???) abalou o grupo ou a platéia. O baterista deu  mais um show à parte (pois tocar Pogobol foi fantástico!) segurando todo mundo na mesma vibração até a energia retornar.

E o melhor disso tudo, obviamente, foi estar na melhor companhia de todas: a do meu amado marido! Que, diga-se de passagem, dessa vez nem piscou (ele costuma dizer que teatro dá um sono…).

Smiley piscando

PS: Apenas complementando… Na saída do show, demos uma passadinha básica na Livraria Cultura e me chamou a atenção um livro cujo título é “Nietzche para Estressados”, de Allan Percy. Abri-o, aleatoriamente, e surgiu a página 64, onde a dose de filosofia era a seguinte: O homem amadurece quando reencontra a seriedade que demonstrava em suas brincadeiras de criança. Pronto, me identifiquei (quem não sabe que vive dentro de Dannes uma eterna criança, ora!), livro comprado. E a página 64 segue com exposições interessantes ao dizer que somente as pessoas capazes de manter a curiosidade e o espírito lúdico da infância terão sempre novos êxitos ao seu alcance. E mais, ao revelar uma frase de Hans Christian Andersen: “Os contos de fadas são escritos para que as crianças durmam, mas também para que os adultos despertem.” Acho que vou gostar desse livro! rsrsrsrs

sábado, 4 de junho de 2011

Musée Rodin, Paris

Quem me conhece, sabe da admiração que eu tenho por Camille Claudel. Não que eu não admire o trabalho de Auguste Rodin, mas, para mim, Claudel é insuperável. Além do talento fenomenal, essa mulher tem uma história muito interessante, embora sofrida, dolorosa. Camille não se curvou às convenções sociais de sua época, lutou por sua arte, se afastou do homem que amou loucamente por achar que merecia mais do que ser apenas sua amante. 

Apesar do sentimento de rejeição em relação à sua mãe que desejava ter tido um filho homem para substituir o que recém havia perdido quando Camille nasceu e das expectativas elevadas de seu pai que estimulou a sua arte, ela não hesitou e criou obras belíssimas que nos deixou como legado. 

Com Rodin, Camille experimentou um amor intenso, profundo, tórrido. Ambos se admiravam mutuamente e impulsionaram o processo criativo um do outro. Foi uma fase frutífera, apenas não rendeu o filho que ela tanto desejava. Com Rodin, Camille experimentou novamente sentimentos de rejeição: primeiro, porque seu trabalho ficava injustamente à sombra do dele e, depois, porque Rodin jamais deixou a esposa, Rose Beuret.
Por mais que tenha vivido intensamente, diante de todas essas dores, Camille não resistiu e sucumbiu à loucura, terminando a sua vida tristemente internada em um hospício, rejeitada por sua família e por seu amor. Entretanto, no meio de sua dita loucura, aposto que guardava uma sanidade e uma dignidade maiores do que muitas pessoas de sua época.

Como vocês sabem, estou vivendo a Sensacional Lua-de-mel em Paris (maiores informações nos blogs O Casal Sensacional e Casamento Sensacional). Um dos pontos altos, muito esperado por mim, era a visita ao Musée Rodin, pois lá, além das belas obras de Rodin, se encontram muitas das obras da minha adorada Camille Claudel.

Devo confessar que, apesar da minha resistência a Rodin (talvez meramente emocional, por achar que ele não tratou Claudel como ela merecia), ao ver as suas obras pessoalmente, tive que admitir que ele era bom no que fazia. Mas, ainda assim, prefiro Claudel.

O museu funciona na casa onde Rodin viveu seus últimos anos e é muitíssimo bem organizado. Há guias virtuais (auditivos) em várias línguas que facilitam a visita e trazem informações valiosas acerca das obras. O lugar é belíssimo. A construção é majestosa, os jardins são magníficos e as obras de arte completam o esplendor da paisagem.

Após já estar maravilhada por diversas obras importantes de Rodin expostas nos jardins do museu (A Porta do Inferno, O Pensador), iniciamos a visita à parte interna. Passamos por duas salas, dobramos à direita e o mundo parou. Lá estava ela, A Idade Madura, belíssima, ao alcance das minhas mãos e eu paralisei. Não conseguia me mover, não conseguia desviar o olhar dela e senti as lágrimas correrem pelo meu resto. Não é vergonha nenhuma confessar a emoção que me invadiu. Pelo contrário, é uma sensação maravilhosa que eu gostaria que todos tivessem a oportunidade de experimentar. A emoção que aflora quando algo nos toca profundamente. Desse momento em diante, foi deleite puro: A Pequena Castelã, A Valsa, Sakountala, Clotho

Estão lá também o busto que ela esculpiu de Rodin e o busto de Paul Claudel, seu irmão, com quem ela tinha uma bela e profunda ligação desde pequena e que lhe servia como um bálsamo. Paul também possuía uma veia artística e escreveu diversos poemas.

Há outras tantas obras belas de autoria de Rodin no museu, e importantes, como O Beijo. Notáveis, sem sombra de dúvida. Porém, para mim, o que me tirou o fôlego verdadeiramente foram as obras de Camille.


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A Idade Madura

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Dá para perceber a minha felicidade, né?

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Felicidade genuína, parecendo uma criança, com A Pequena Castelã

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Sakountala