Além de satisfazer o desejo de escrever que me consome (de forma egoísta, não nego), e, é claro, de demonstrar o quanto sou moderna (afinal, é um blog!), o objetivo aqui é tratar dos mais diversos temas e assuntos, sem nenhum critério rígido estabelecido, dando vazão apenas à emoção e à razão (será que, em algum momento, essas duas andam juntas?), e compartilhar tudo isso com as pessoas amigas e queridas e com quem mais quiser ler e acompanhar o que for escrito.
Entre os livros que estão habitando a minha cabeceira ultimamente, está o “Mulheres”, de Eduardo Galeano, da coleção L&PM Pocket.
Compartilho um dos textos do livro que me tocou pela beleza e sensibilidade.
“Conversamos, comemos, fumamos, caminhamos, trabalhamos juntos, maneiras de fazer o amor sem entrar-se, e os corpos vão se chamando enquanto viaja o dia rumo à noite.
Escutamos a passagem do último trem. Badaladas no sino da igreja. É meia-noite.
Nosso trenzinho próprio desliza e voa, anda que te anda pelos ares e pelos mundos, e depois vem a manhã e o aroma anuncia o café saboroso, fumegante, recém feito. De sua cara sai uma luz limpa e seu corpo cheira a molhadezas.
Começa o dia.
Contamos as horas que nos separam da noite que vem. Então, faremos o amor, o tristecídio.”
Hoje, terminei de ler “Marina”, do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón. O interesse pelo autor me foi despertado quando li “O tempo entre costuras”, maravilhoso livro de Maria Dueñas (e um dos meus prediletos, saiba mais aqui). Dueñas era referenciada como Zafón de saias e, então, como me apaixonei pelo estilo dela, imaginei que gostaria de Zafón, autor que nunca havia lido.
Zafón é autor de dois livros badalados: “A Sombra do Vento” e “O Jogo do Anjo”, mas eu não queria iniciar com nada badalado. Assim, numa visita à livraria (um dos meus programas favoritos), escolhi “Marina”, atraída pela frase contida na capa e por um trecho na contracapa, mas nada sabia acerca do livro.
Ao terminar a leitura, conclui que não consegui formar opinião sobre o livro. Talvez porque eu tenha criado muita expectativa. Talvez porque eu não soubesse que se tratava de uma obra direcionada ao público infanto-juvenil, mas que, de acordo com o autor, também se aplica ao público adulto.
Não posso negar, no entanto, que o estilo de Zafón é interessante e atrativo. Há questões interessantes no livro. Há sutileza no tratamento das relações humanas. Porém, creio que o que me decepcionou, por assim dizer, foi uma determinada parte fantástica da história, uma fantasia à beira da irrealidade. Entretanto, sabendo que o público alvo da obra poderia muito bem ser envolvido pela fantasia construída, eu deveria relevar. E também não dá para negar uma certa metáfora nessa alegoria… Enfim, como disse antes, meus sentimentos em relação ao livro são muito controversos. Realmente não consegui formar uma opinião. Em alguns momentos, fui tocada, mas em outros achei tudo muito surreal, apesar de não poder negar ter ficado envolvida de certa forma pelo suspense. A solução, creio, será dar nova chance a Zafón. Basta escolher a próxima obra. Alguma sugestão?
PS: Agora, devo iniciar a leitura de “A Elegância do Ouriço”, de Muriel Barbery. Mal posso esperar!!! Quer saber mais? Leia aqui. Depois eu conto as minhas impressões.
Engraçado como tudo tem que ser a seu tempo nessa vida. Ganhei “A Resposta”, da escritora americana Kathryn Stockett, no Natal de 2010 de presente do maridão, mas, por algum motivo, ainda não o havia lido, apesar de eu mesma tê-lo pedido de presente por ter me interessado pelo tema. Acho que eu não estava preparada para essa história. Aliás, essa é uma grande verdade: às vezes, não estamos preparados para algum livro e a leitura simplesmente não flui. No caso de “A Resposta”, eu sequer havia tentado.
O livro estava no meu criado mudo desde o Natal de 2010, junto com outros tantos, os que estavam sendo lidos e os que estavam na fila de espera para leitura. Eis que, no mês passado, devido a problemas de saúde, uma licença médica me fez ficar uns dias em casa. Foi então que olhei para “A Resposta” e me senti pronta. Comecei a leitura e fui devorando página por página sem conseguir largar. E assim quase 600 páginas foram lidas em dois ou três dias.
“A Resposta” me emocionou, me fez rir, me fez chorar, me fez refletir, me indignou. Como o ser humano pode ser tão mesquinho, tão pobre, tão baixo? Como pode haver tanto preconceito no mundo? Sim, verbo no presente. A história se passa nos Estados Unidos, na década de 60, no Mississippi, mas, infelizmente, ainda hoje há resquícios daquele mesmo velho e nojento preconceito em nosso mundo, resquícios da tenebrosa segregação racial. Em escala bem menor, é verdade, mas há. Afinal, ainda hoje a cor da pele define o tamanho do salário. Ainda hoje vemos poucos negros nas faculdades, nas empresas e assim por diante.
Kathryn Stockett conseguiu escrever sobre um tema tão delicado de forma leve, sincera e humana; conseguiu mostrar, sem pieguice, que o amor triunfa sobre a dor, humilhações, injustiças, sobre o mal. Conseguiu mostrar as contradições e futilidades de uma época em que os negros não podiam utilizar o mesmo banheiro que os brancos e em que uma mulher nada valia se não tivesse um marido.
Skeeter, a jovem branca que desafiou todas as regras para defender aquilo em que acreditava, Aibellen e Minny, duas empregadas negras com histórias fantásticas para contar, são as três personagens principais do livro e são adoráveis. Porém, outra personagem, não menos importante e adorável, me cativou muito: Celia, pela ingenuidade, inocência e bondade.
O livro traz também referências históricas, como o assassinato do ativista negro Medgar Evers em 1963. O Mississippi, um dos estados americanos mais conservadores, possuía forte segregação racial. Negros não podiam frequentar os mesmos lugares que os brancos, tudo era separado: banheiros, escolas, bibliotecas e até os assentos nos ônibus. Negros eram espancados e assassinatos se ousassem se opor às regras sociais estabelecidas. A década de 60 foi também a época em que se fortaleceu a luta pela igualdade dos direitos civis com Martin Luther King e James Meredith se tornava o primeiro negro a ser admitido em uma faculdade. Nesse ambiente de tensão social, Stockett narra com delicadeza o que significava ser uma empregada negra no Mississippi, todas as dificuldades, todas as contradições. Mulheres que eram constantemente humilhadas, menosprezadas e que, ao mesmo tempo, criavam os filhos de suas patroas brancas com muito amor, mesmo sabendo que seria questão de tempo para que o preconceito também os dominasse.
Há pouco, soube que o livro havia sido adaptado para o cinema pelo diretor Tate Taylor, concorrendo inclusive ao Oscar (melhor filme, melhor atriz e melhor atriz coadjuvante). Todos somos sabedores de que dificilmente um filme faz jus ao livro que lhe deu origem. Além disso, li uma crítica não muito favorável à adaptação cinematográfica, mas, ainda assim, estava bastante curiosa para assistir ao filme, o que acabei de fazer. Concordo que o livro é muito superior ao filme. Notei pequenas alterações, mas nada que comprometa o todo. Em suma, gostei do filme, há boas interpretações e a reconstrução do cenário e da época me pareceu fidedigna, mas o livro é muito melhor.
Recomendo a leitura do livro, mas, caso você não seja afoito à literatura, pelo menos assista ao filme. Vale a pena.
Que tal dar uma olhada no trailer oficial do filme que no Brasil recebeu o título de “Histórias Cruzadas”?
Vocês lembram do último post, né? Faz quase um mês… Mas é esse aqui. Então, recentemente estive com o maridão na fronteira Jaguarão-Rio Branco para um abastecimento básico (cosméticos, perfumaria e bebidas) nos famosos free shop (leia aqui). Aproveitei para matar minha curiosidade acerca da minha memória. No post anterior, comentei que, pelo que me lembrava, a fragrância de Chanel N. 5 não me agradava, lembram? Pois eu estava certíssima! Não me agrada mesmo. Ponto para a minha memória que continua positiva e operante!
A outra atualização referente ao último post é que, mesmo sem ter terminado ainda o livro de Tilar J. Mazzeo sobre o fascínio de Chanel N. 5, comecei a ler o livro de Servan-Schreiber: Podemos dizer adeus mais de uma vez. O livro é realmente maravilhoso! Aquele tipo de leitura da qual não se consegue desgrudar. E é um livro onde o autor desnuda sua alma, expõe seus anseios e receios e nos dá grandes lições de otimismo e confiança sempre com muita honestidade. Um livro que faz refletir sobre a vida e sobre nossos valores. Será que estamos mesmo vivendo a vida e valorizando o que nos é caro e importante? Ou a prática está muito longe da teoria? Sempre é tempo de acordar e fazer valer a pena, um pouco a cada dia quando não se pode fugir da infindável série de compromissos e responsabilidades da vida moderna. O importante é persistir e ser feliz!
Lidar com a morte jamais será fácil, mas é inevitável. Servan-Schreiber encara o fato com honestidade e através de sua escrita tão humana nos lembra o quanto todos nós somos iguais, frágeis e vulneráveis. Suas palavras nos aproximam da condição humana com delicadeza e verdade.
David Servan-Schreiber, com certeza foste um grande homem e tens a minha total admiração. Foste corajoso como somente os grandes podem ser. Apesar de toda a tua dor e sofrimento, conseguiste transformar as adversidades em formas de auxílio ao próximo, através de teus livros, palestras e exemplos. Teus filhos, a quem lamentas não poder acompanhar na grande descoberta da vida, certamente levam com orgulho e amor o teu exemplo e a tua fibra. O mundo lamenta a tua partida, mas foste um vencedor. Ganhaste a luta por 19 anos, mas há uma batalha que nenhum de nós poderá vencer e a passaste com muita dignidade. A mim, David, que tenho imensa dificuldade em dizer esse adeus definitivo, com tuas palavras cruas, honestas e desnudas, ajudas a me aproximar da compreensão diante do inevitável. E, novamente, então, te agradeço. Descanse em paz.
Depois de ter lido, há uns dois anos, “A Viúva Clicquot”, de Tilar Mazzeo, e adorado o estilo de narrativa da autora, estou devorando “O Segredo do Chanel N. 5”. Muito boa leitura, especialmente para quem, como eu, ama o número 5. Tenho essa paixão pelo número 5 desde pequena e, diga-se de passagem, essa afeição não tem nenhuma ligação com o perfume de Chanel. E também nunca teve nenhuma explicação racional. Porém, eis que lendo o livro, descobri uma série de significados atribuidos a esse número e começo a entender minha paixão, pois são coisas que realmente valorizo muito.
Tilar Mazzeo nos revela a história do perfume mais famoso do mundo e, conseqüentemente, de sua criadora. Para escrever seus livros, Mazzeo sempre realiza um vasto trabalho de pesquisa, o que torna a leitura ainda mais interessante. Apesar de nunca ter usado o perfume (e, sinceramente, pelo que me lembro de uma única ocasião em que experimentei cheirá-lo, não ter gostado muito da fragrância), a história é fascinante (e confesso que estou curioso para cheirá-lo novamente e conferir se a minha remota memória irá se confirmar). Mesmo que o Chanel n. 5 jamais ocupe a minha “penteadeira” (eu nem tenho uma penteadeira, mas vocês entenderam, não é mesmo?), é inegável o sucesso do perfume e o fascínio que ele provoca no imaginário das pessoas. Afinal, Marylin Monroe dormia vestida apenas com algumas gotas de Chanel n. 5!
O maridão assina Veja e, há algumas semanas, foi publicada uma reportagem que recomendava o livro “Podemos dizer adeus mais de uma vez”, do médico americano David Servan-Schreiber que descobriu um tumor agressivo no cérebro em 1992 e, desde então, lutava contra o câncer. Quando descobriu a doença, o prognóstico era de que possivelmente não viveria mais de seis meses. No entanto, Servan-Schreiber venceu muitas lutas contra a doença e se dedicou ao trabalho árduo de pesquisa pela cura do câncer, criando um programa anti-câncer que o ajudou a fortalecer o organismo e lhe deu uma longa sobrevida, vindo a falecer somente em julho deste ano.
“Podemos dizer adeus mais de uma vez” é uma espécie de despedida, uma reflexão sobre sua vida. Para mim, que recentemente vivenciei a primeira perda familiar e que nunca simpatizei com a idéia de que um dia todos vamos partir (apesar de me considerar kardecista… que contra-senso, não?), a reportagem marcou. E hoje, apesar de não ter terminado ainda a leitura do livro de Mazzeo, não resisti e comprei o livro de Servan-Schreiber que ficará na minha cabeceira à espera de sua vez.
Aliás, eu dentro de uma livraria, sou um perigo… Ainda mais que, atualmente, elas também vendem CDs, DVDs, revistas, itens de papelaria… Uma perdição! E não adianta: eu tenho vários livros esperando incansavelmente chegar a sua vez. Será que conseguirei ler todos? A vida é tão curta e o tempo passa tão depressa… Por isso mesmo, deveríamos viver constantemente em férias! Assim, eu poderia ler todos os livros, ver todos os filmes, ouvir todas as músicas e estar bastante tempo junto de todas as pessoas que eu amo! Ah, Mega Sena, vem para mim, vem!
Recentemente, terminei a leitura de Comprometida, de Liz Gilbert. O livro é interessante, mas não se compara a Comer, Rezar, Amar, livro anterior da autora que eu havia adorado. Na verdade, creio que Gilbert tenha exagerado um pouco, com tendências por demais caricaturizadas.
Em seguida, emendei Travessia de Verão, de Truman Capote, livro que comprei há mais de ano. Nunca havia lido Capote e confesso que Travessia de Verão não me conquistou, não foi uma leitura arrebatadora. No entanto, darei a Capote uma segunda chance em outra oportunidade.
Agora, vou iniciar, com grande expectativa a leitura de O Tempo entre Costuras, de Maria Dueñas. A autora é espanhola e professora de filologia. A narrativa conta a história de Sara Quiroga, jovem costureira, que, apaixonada, parte de Madri para Marrocos, meses antes da Guerra Civil Espanhola, onde perderá sua inocência diante das agruras da vida. Durante a Segunda Guerra Mundial, a personagem se transforma mais uma vez, mergulhando em um mundo repleto de espiões, impostores e fugitivos.
O livro foi lançado em junho de 2009 na Espanha, com pequena tiragem (apenas 3 mil cópias), pois o mercado editorial não lhe prestou a devida atenção. No entanto, o livro foi tão elogiado entre os leitores que logo estava esgotado e virou fenômeno. Atualmente, está na 25ª edição, com aproximadamente 550 mil cópias vendidas, tendo sido traduzido para 12 idiomas. Maria Dueñas tem sido comparada a Carlos Ruiz Zafón, seu conterrâneo, autor de O Príncipe da Névoa e A Sombra do Vento (livro que está na minha lista).
Imagino que eu vá gostar muito de O Tempo entre Costuras, pois o livro parece ter todos os elementos para uma leitura voraz: amor, paixões, guerras, dilemas existenciais... Deve ser daqueles livros que não se consegue parar de ler!
O colombiano Gabriel Garcia Marquez é um dos meus escritores prediletos. E, sem dúvida, entre tantos livros excelentes de sua autoria, o meu favorito é O Amor nos Tempos do Cólera. Publicado em 1985, esse romance conta a história do amor de Florentino por Firmina. Um amor que ultrapassa décadas. Um romance que emociona. Como todos os livros de Garcia Marquez, é impossível ficar imune. A leitura é permeada por lágrimas e sorrisos. Livro indispensável e leitura obrigatória (ao estilo "must have", "must read").
A adaptação cinematográfica, Love In The Time Of Cholera, de 2007, dirigida por Mike Newell, é belíssima. Fiel ao romance original, embora reduzida, com excelentes atuações (Javier Bardem, Giovanna Mezzogiorno - do também belíssimo La Bestia Nel Cuore, a nossa querida Fernanda Montenegro, para citar apenas alguns dos competentes atores), bela fotografia e uma deliciosa trilha sonora com participação de Shakira, convidada pelo próprio Garcia Marquez (destaque para as músicas La Despedida e Pienso emTi). Ou seja, também recomendo assistir ao filme!
A dica de hoje é um dos livros que mora na cabeceira de minha cama há anos. É o interessantíssimo Mulheres Que Correm Com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.
Estés (27 de janeiro de 1945) é uma psicóloga americana de descendência mexicana, cresceu numa zona rural próxima dos famosos Grandes Lagos. De formação junguiana, com aproximadamente 40 anos de prática clínica, escreveu muitos livros traduzidos para 39 idiomas. Mulheres Que Correm Com os Lobos permaneceu por 145 semanas na lista dos mais vendidos do New York Times. E é merecidamente um best seller.
Mulheres Que Correm Com os Lobos, publicado originalmente em 1992, chegou ao Brasil em 1994, através da Editora Rocco. A primeira vez que tive contato com o livro foi em 2006 e, desde então, ele integra a minha biblioteca e, principalmente, a cabeceira. Primeiramente, um exemplar me foi emprestado pela minha tia-amiga-irmã Denise, que havia sido presenteada e havia gostado muito da leitura. Comecei a devorar as páginas e fiquei com o exemplar dela por três anos, quando, então e enfim, comprei o meu próprio exemplar. É uma leitura densa, profunda. Um livro para ser lido, relido, digerido. Um livro para se consultar volta e meia. Um livro indispensável.
Do estudo e observação dos lobos, Estés percebeu várias semelhanças entre a loba e a mulher. Esse instinto feminino, a que ela chama de Mulher Selvagem, foi sendo domesticado ao longo dos anos. Estés propõe, através da interpretação de 19 lendas e histórias antigas, especialmente de tradição oral latina e européia, a identificação e dissecação do arquétipo da Mulher Selvagem ou a essência da alma feminina, sua psique instintiva mais profunda, percorrendo o universo feminino com maestria, investigando o esmagamento da natureza instintiva feminina e o sufocamento de seu potencial criativo, e convidando ao resgate dessa ancestralidade, através de escavações que chama de "psíquico-arqueológicas", como forma de atingir a verdadeira libertação.
Para Estés, a Mulher Selvagem é aquela que respeita os seus ciclos de vida, o seu primitivismo, a sua espiritualidade, enfrentando os seus medos e sobrevivendo às fantasias que lhe são imputadas, dando vida, voz e cor ao seu "self" e libertando sua percepção e criatividade. Como eu disse, é uma leitura densa, mas gratificante. Não a abandone caso você não se sinta pronto: respire, aguarde e retome em outra ocasião.
P.S.: Vale dizer que não é um livro exclusivamente feminino, os leitores masculinos são bem-vindos e poderão fazer bom proveito do seu conteúdo. ;)
Quem me conhece, sabe que sou fã declarada de Clarice Lispector. Devoro os textos dela. Acho-os de uma delicadeza e profundidade sem igual. Além disso, admiro-a além da escritora. Admiro a Clarice mulher. Ela nasceu na Ucrânia, em 1920, e com apenas um ano de idade veio morar com a família no Brasil. Seu nome de batismo era Haia, que significa vida. Acho que não lhe caberia nome mais apropriado. Clarice se formou em Direito, porém jamais exerceu a profissão. Trabalhou como jornalista. Casou-se com um colega de faculdade que havia ingressado na carreira diplomática. Viveu em diversas cidades do mundo. Foi mãe de dois filhos. Separou-se. Sobreviveu a um incêndio que quase lhe custou a mão direita. Publicou livros, recebeu prêmios, realizou entrevistas. Sem nunca deixar de escrever. Afinal, "enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever", dizia. Clarice nos deixou muito cedo. Faleceu em 09 de dezembro de 1977, às vesperas de completar 57 anos, vítima de câncer. Clarice, um coração batendo no mundo, continua viva em muitos corações ao redor do mundo e suas palavras continuam sendo seu domínio sobre ele. Saudade, como diria Clarice, é um dos sentimentos mais urgentes que existem. Embora eu não tenha habitado esse mundo concomitantemente com Clarice, para amenizar as saudades que ela nos deixou, recomendo a leitura do livro "Clarice na Cabeceira", lançado em 2009, com organização de Teresa Montero. O livro, conforme definição da própria Editora Rocco, é uma seleção afetiva de contos da escritora, apresentados por 22 personalidades do cenário cultural e fãs incondicionais de Clarice. Para quem nunca leu Clarice, pode funcionar também como um bom primeiro contato com sua obra. Como estou falando de Clarice, não posso deixar de registrar que assisti a um monólogo ("Simplesmente Eu - Clarice Lispector") sobre sua vida, interpretado por Beth Goulart, no ano passado. Belíssimo trabalho! Beth está uma Clarice impecável. Sua interpretação me levou às lágrimas. Beth também participa de "Clarice na Cabeceira". Ando em busca do documentário "De corpo inteiro - Entrevistas", produzido pela sobrinha-neta de Clarice, Nicole Algranti. O filme é uma adaptação do livro "Entrevistas", recriando as conversas que Clarice teve com diversas celebridades e revelando costumes da época e da personalidade da própria escritora. De presente de aniversário, me dei a biografia "Clarice,", escrita pelo americano Benjamin Moser, que também participa de "Clarice na Cabeceira". E tão logo termine a leitura que estou realizando no momento ("Doidas e Santas", da também excelente Martha Medeiros), me dedicarei a descobrir ainda mais sobre essa mulher, cuja escrita me encanta, me emociona, me faz rir, me faz chorar e certamente me toca.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca." - Clarice, sempre Clarice!