segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Contradição

Não sei nada sobre mim mesma
Não entendo nada a meu respeito
Às vezes, eu quero e outras não
Sou quase como um abismo
A perfeita contradição
Perdida em meus anseios
Presa aos meus desejos
Enlouquecendo com meus caprichos
Esperneando entre devaneios
Querendo silenciar
Enquanto grito


(Escrito em 03 de agosto de 2009)

domingo, 9 de agosto de 2009

Marcas

Quando fecho meus olhos
É como se ainda aqui estivesses
Como se ainda tuas mãos me percorressem
Como se ainda teus beijos cobrissem minha pele
Como se teu carinho ainda me acalentasse
Como se teu calor continuasse a me aquecer
Como se continuasse a deliciosa entrega
Como se teu corpo ainda fosse meu refúgio
Como se eu ainda estivesse segura
Marcas que ostento com imenso prazer
Enquanto invento tua presença




sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Despedida

Eu preciso te dizer adeus
Por mais que eu não queira
Por mais que doa
Eu preciso me despedir
Te libertar da minha alma que te acorrenta
Eu preciso te deixar partir
Permitir que te vás
Eu preciso me perdoar
Para poder prosseguir
E continuar a caminhar

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Labirinto

É como se ela não quisesse
Como se os pés que a guiassem não fossem seus
Como se a voz emudecesse
Como se a vontade há muito lhe deixara
É como se ela não escolhesse
Como se não soubesse o caminho a trilhar
Como se só houvesse desamparo
Como se estivesse perdida
Como se não pudesse se encontrar

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Se

Se não estivesses tão perto
Mesmo estando tão distante
Eu poderia caminhar
Se não estivesses ausente
Mesmo estando presente
Eu poderia respirar
Se já tivesses ido
Mesmo tendo ficado
Eu poderia prosseguir
Se não fosses tudo
Mesmo sendo nada
Eu poderia, então, também ser

domingo, 2 de agosto de 2009

Foste...

Foste uma promessa não cumprida
Uma ilusão, como uma miragem no deserto
Foste um sonho não realizado
A semente que não germinou
Um acorde inacabado
A proposta que não vingou
Foste uma aparência
Foste, foste, foste
E nunca serás...



sábado, 1 de agosto de 2009

Ruínas de São Miguel

Observo as ruínas
Penso o quanto de mim também está assim
Terra que foi semeada
Terra que bons frutos gerou
Terra de bonança
Verdes belos pastos
Cobertos de vermelho
Luta após luta
Pelo afã da ganância
Cânticos entoados
Convertidos em gemidos de dor
Sonho de liberdade
Nutrido, acalentado, defendido
Vidas e crenças despedaçadas
Que hoje me tem por testemunha
Céu, vento, terra e ruínas
Que permanecem honrando
A história de um povo

Missões/RS - 28/07/2009