sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Que grande tolice é a vida…

Que grande tolice é a vida... Não é justa e não faz o menor sentido. Que dor dilacerante sinto vendo sofrer quem tanto amo. É como se me cortassem a carne. É como se me rasgassem a alma. Uma ferida enorme que me transforma e que jamais permitirá que eu seja a mesma de antes. Se existe Deus, como ele pode permitir que uma pessoa tão iluminada, tão bondosa, tão generosa, tão caridosa, tão amorosa, tão pacífica, tão especial como minha vó sofra dessa maneira? Onde está esse Deus que ela sempre seguiu, honrou e venerou? Onde está Nossa Senhora, a Virgem Santíssima, que mais do que ninguém deveria proteger minha vó que é a melhor e mais amorosa mãe do mundo? Juro que tento manter a fé. Não sei se em Deus mas em uma energia superior que move o universo. Que seja dado o nome que se queira dar, não importa. Deve existir algo maior que nós. Rogo a essa energia superior, tenha o nome que tiver, que seja Deus, rogo que não permita que minha amada vó sofra. Ela não merece. Sim, sempre acreditei que nada nessa vida é por acaso e que tudo tem um propósito. Fico pensando, pensando, pensando, tentando entender o incompreensível e a única possibilidade que avisto para tal propósito é que minha vó, justamente por ser uma alma tão pura, tão generosa, tão bondosa, tão caridosa e tão amorosa, tenha escolhido passar por esse sofrimento para, mestra que é, ensinar uma lição a algumas pessoas próximas que necessitam desse ensinamento e que, certa e infelizmente, não o aprenderão pois assim o demonstram diariamente em suas atitudes e discursos. O amor que sinto por ela é imenso, incondicional e infinito e não permite que ela sofra. Seria egoísmo de minha parte e ela nunca me ensinou a ser egoísta. Devo a ela tudo o que sou, tudo o que sei. Me sinto despedaçada ao vê-la assim tão fragilizada. Ela sempre foi alegre, feliz, comunicativa, amorosa, ativa, nosso núcleo, nosso exemplo. Soube viver a vida, sempre se doando a quem dela necessitasse, sempre com um sorriso aberto no rosto. Nunca a vi reclamar mesmo diante da maior adversidade. Sempre aceitou de bom grado todos os desafios e soube deles tirar o melhor proveito. Sempre viveu nos ensinando. Sempre teve as palavras e os gestos certos para cada momento. Minha mestra, meu amor maior. Aqui estou, ao teu lado, como sempre estive. Porém, invertemos os papéis, hoje quem cuida de ti sou eu com a mesma dedicação e amor que tu cuidavas de mim quando eu era um ser pequenino. Cuido de ti com muito amor, muita gratidão, muita satisfação e muito orgulho. Sempre estarei contigo independente de onde estejamos porque eu e tu somos a mesma carne, a mesma alma, a mesma energia, o mesmo amor. Cuido do meu amado avô com o mesmo carinho e amor. Meus amados avós que tanto me ensinaram nessa vida, que tanto cuidaram de mim. Meus amados avós cujas mãos e pés me guiaram e me mostraram o caminho. Que me ensinaram e, mais do que isso, me mostraram o significado das palavras mais belas: amor, família, bondade, humildade, apoio, união, cuidado, zelo, amizade. Sempre estarei com vocês. O elo que possuímos é só nosso, é muito forte e especial porque é fruto do verdadeiro amor. É o nosso tesouro. É incomparável. E é essa ligação tão pura e bela que me conforta e me dá forças. Erciliany e Gezerino, agradeço por tudo, por todos os ensinamentos, por todo o nosso amor. Dói demais vê-los tão fragilizados, tão dependentes, mas vocês sempre terão o meu e o nosso amor.

sábado, 30 de março de 2013

Perda

O  mundo não mais me pertencia

E era difícil aceitar

Todas as paisagens não admiradas

Todos os livros não lidos

Todos os amores não experimentados

Todas as músicas não ouvidas

Todos os sabores não degustados

Todos os filmes não assistidos

Toda a existência me fora roubada

Injustiçada, mirava com receio o desconhecido

E o que me aguardava

Nada mais poderia fazer

Nada mais sentia ou pensava

Que triste é a finitude

 

09/08/2012

…

Ela estava perdida em seus pensamentos. Tão perdida que não sabia em que confiar. Memórias próprias, memórias alheias. Segredos, confidências, mentiras. O que era verdade e o que fora ilusão. Crença e decepção. E a certeza de que era preciso continuar. Mesmo que em vão.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Estranho

Quanto mais te aproximas, menos te reconheço

Não há nada em teu olhar que remeta ao brilho do passado

Não há em tuas mãos o menor sinal do antigo vigor

E na face envergonhada mal carregas um tímido sorriso

O que teria te acontecido?

Onde terias perdido o senso?

Por que terias vendido a alma?

Ou fui eu que nunca te conheci?

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Apoiando o The Nu Project

Já falei sobre o The Nu Project aqui, um projeto muito bacana que se dispõe a mostrar a beleza em todas as formas do casal de fotógrafos Matt Blum e Katty Kessler. Mulheres comuns, inclusive brasileiras, posam nuas para as lentes dos fotógrafos. Pois agora eles estão arrecadando fundos para a publicação do livro contendo as belas imagens capturadas ao redor do mundo, através do Kickstarter.

Como eu apoio o projeto e o conceito envolvido, como vocês já devem ter percebido pelo texto publicado anteriormente, fiz questão de contribuir. E divulgo aqui no blog para que você também possa contribuir! Assista o vídeo e depois clique aqui para fazer a sua parte!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Sonhando junto…

Achei a história inspiradora. Um exemplo de determinação, garra, superação. Emocionante! E, para ajudar o Ariel a realizar seu maior sonho, resolvi compartilhar o vídeo no Facebook, no Twitter e, agora, no blog. Afinal, sonho que se sonha junto é realidade!

#VEMSEANPENN

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Dia da Saudade


Daniela pequena na praia
Dannes, num longíquo verão da década de 80, em Rainha do Mar (antes de adotar Capão Novo como sua praia de veraneio favorita no litoral norte gaúcho)

Descobri meio que por acaso que hoje no Brasil é o Dia da Saudade. É claro que isso me fez refletir um pouco sobre as coisas das quais sinto saudade. Mas o que é saudade, afinal? Segundo o Aurélio, saudade é um substantivo feminino que significa lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia. Diante dessa definição, não me surpreende nada que seja um substantivo feminino. Afinal, nós, mulheres, somos mestres nas artes afetivas e a saudade é muito afetiva.
Sinto saudade de muitas coisas. Das páginas em branco dos cadernos novos aguardando a tão esperada volta às aulas, das tardes chuvosas onde me deliciava com os bolinhos de chuva feitos pela minha avó, das aulas de ballet (ah, como sinto saudades!), dos meus amados avós paternos que já se foram, de andar de bicicleta, de todos os amigos que já passaram pela minha vida e tomaram outros rumos, de passear de moto com o meu pai, do sentar no colo do meu avô para assistir televisão (e tirar uma soneca), de assistir filmes de suspense com a minha avó, de jogar canastra com a minha mãe, dos passeios pela serra com minha mãe e minha avó, de todos os meus irmãos quando eram pequenos (e que sorte ter ainda uma irmãzinha linda com três aninhos!), de dormir e acordar ouvindo música quando dividia o quarto com minha tia-irmã, dos tempos do colégio (o João XXIII foi certamente como um segundo lar), dos sonhos de mudar o mundo que eu tinha quando entrei na faculdade de Direito na PUCRS, dos meus quinze anos, dos meus vinte anos, dos meus vinte quilos a menos… Enfim, saudades de muita coisa.
Porém, a saudade maior é da ingenuidade da minha infância. A ingenuidade, no bom sentido, é característica intrínseca de toda e qualquer infância, ou pelo menos deveria ser. É quando temos a vida toda pela frente, o mundo todo para descobrir, os olhos mais atentos e curiosos. É quando corremos, brincamos, cantamos, pintamos sem nos importarmos nem um pouquinho com a opinião alheia.
É por saber a importância dessas coisas que eu tento cultivar ao máximo e nutrir a criança que ainda vive em mim. É por isso que procuro manter a mente e o coração bem abertos. É por isso que amo as artes. De qualquer forma, amadurecer faz com que se perca a poesia para a crueza do mundo. Mas nem por isso é preciso perder a capacidade de encantamento.
O presente me é muito generoso. Eu achava muito chato ser filha única quando era pequena e rezei tanto, mas tanto, que minhas preces foram atendidas e ganhei cinco maravilhosos irmãos. Me considero uma sortuda por ter uma família grande e maravilhosa. Não estou dizendo que seja perfeita porque perfeição não existe, mas é a minha amada família. A vida também me deu outro maravilhoso presente: meu amado marido. E junto com ele ganhei mais uma maravilhosa família, pessoas sinceras, amigas e generosas, de quem sinto muitas saudades porque moram longe. E cinco sobrinhos lindos e sapecas (um deles chega ao mundo agora no início de fevereiro)! Tenho também as afilhadas mais lindas e amadas do mundo (e também os filhos fofos de todos os amigos)! E tenho ainda muitos amigos: amigos de toda uma vida, amigos de longa data, amigos mais recentes, amigos mais próximos, amigos mais distantes, mas todos eles possuem um lugar muito especial na minha vida. Diante de tanta coisa boa que há no presente, fica até feio dizer que tenho saudades do passado. E sei que o futuro reserva outras tantas boas surpresas.
Sim, eu tenho saudades e valorizo o passado. Mas vivo muito bem com o presente e aguardo com alegria o futuro.
Dannes, 30 de janeiro de 2013