“Eu quero dizer só isso: nosso inimigo principal é o medo. Temos medo por dentro.”
Cinco Mulheres, Eduardo Galeano
Além de satisfazer o desejo de escrever que me consome (de forma egoísta, não nego), e, é claro, de demonstrar o quanto sou moderna (afinal, é um blog!), o objetivo aqui é tratar dos mais diversos temas e assuntos, sem nenhum critério rígido estabelecido, dando vazão apenas à emoção e à razão (será que, em algum momento, essas duas andam juntas?), e compartilhar tudo isso com as pessoas amigas e queridas e com quem mais quiser ler e acompanhar o que for escrito.
“Eu quero dizer só isso: nosso inimigo principal é o medo. Temos medo por dentro.”
Cinco Mulheres, Eduardo Galeano
No início deste ano, uma amiga comentou comigo que esse seria o ano da faxina. Ela tinha lido em algum artigo de previsões astrológicas. A princípio, achei uma coisa meio boba, mas conforme tenho vivenciado esse difícil ano, percebo que, pelo menos dessa vez, a astrologia estava correta. Sim, porque o ano está sendo muito difícil, mas muito difícil mesmo. No entanto, a faxina vem sendo realizada. Entenda-se por faxina retirar da sua vida tudo aquilo que não valha a pena, inclusive as pessoas que não valem a pena. Uma verdadeira faxina mesmo! Ou uma grande triagem que permite que se mantenha na sua vida somente o que vale a pena. Como você preferir.
A minha filosofia, desde sempre, é a de não gastar nem tempo e nem energia com o que não vale a pena, inclusive pessoas. Creio que já falei disso por aqui. Você tem direito de querer na sua vida somente o que lhe faz bem, o que soma, o que agrega, inclusive pessoas. Você tem todo o direito de retirar da sua vida pessoas que não somam e que não agregam. Quando a pessoa em questão é alguém de quem você gosta (ou melhor, gostava), esse processo pode ser um pouco sofrido, mas, acredite, é necessário e você se sentirá muito melhor sem essa energia ruim (ou estagnada) pairando no ar.
As pessoas nem sempre tem as mesmas trajetórias, nem sempre tem as mesmas lições a serem aprendidas, nem sempre tem as mesmas vivências e experiências a serem compartilhadas e nem sempre compartilham dos mesmos valores que você. A vida é assim. E pronto. Sem drama. O melhor que há na vida é poder simplificar. E é justamente por isso que simplesmente retiro da minha vida tudo o que não vale a pena. E somente eu posso avaliar o que (ou quem) vale ou não a pena para mim. Simples assim.
Eu só quero na minha vida coisas e pessoas que somem, que agreguem, que sejam merecedoras de estar e fazer parte da minha vida. Dos demais, quero distância. Sou assim e sempre serei. Não tem lágrimas e nem coração mole comigo. Não se trata de ser radical ou inflexível, sou apenas realista e objetiva. E nem os laços de sangue são imunes, pois não basta ter o mesmo sangue. Para ser minha família, é preciso ter caráter. E moral. É isso, ou adeus. Parta, vá para longe, me deixe em paz.
Muitas pessoas tem dificuldade de lidar com essa minha filosofia de vida. Sinto muito por elas. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que se é, já dizia Caetano.
Em um ano difícil como 2013, fica muito fácil colocar em prática minha filosofia de vida, pois são nos momentos de dificuldade que conhecemos realmente as pessoas. As pessoas se revelam diante das dificuldades. Eu diria que as dificuldades mostram, revelam e/ou despertam o pior ou o melhor das pessoas. Depende de cada um. Sim, porque eu acredito que somos totalmente responsáveis por nossas escolhas e nossas ações. E, assim, devemos ser capazes de arcar com o custo de nossas escolhas e de nossas ações, seja qual for.
Em suma, a vida é feita de escolhas, você é responsável por suas escolhas, simplifique, seja objetivo, viva leve sem carregar o peso desnecessário de tudo aquilo que não vale a pena e seja feliz! 2014 será um ano melhor! Com certeza!
Eu ando sumida do blog. Este ano, minha vida teve uma grande reviravolta. Minha amada avó materna sofreu um AVC em maio, e, infelizmente, ficou com muitas seqüelas importantes. Meu avô paterno, a quem minha avó cuidava, e que sofre do Mal de Alzheimer, teve um agravamento no quadro da doença. Eles são como mãe e pai para mim, pois me criaram desde bebê de colo até os meus dez anos de idade. Eu os amo muito, eles me ensinaram tudo o que eu sei e eu tenho estado envolvida nos cuidados com eles desde então. Felizmente, o pior já passou, mas é muito triste ver quem a gente ama sofrer. É uma dor dilacerante e uma sensação horrível de impotência. Porém, é preciso ser forte e seguir em frente sem desanimar, pois eles precisam de mim. Felizmente, também, conto com a ajuda da minha mãe, da minha tia e do meu tio mais novo, bem como de seus cônjuges. E, evidentemente, com a ajuda inestimável e incondicional do meu amado marido que mostra diariamente ser um verdadeiro companheiro e parceiro.
É o ciclo da vida: cuidar de quem cuidava de mim. E é impressionante como descobrimos uma força que nem sabíamos que tínhamos. Enfim, ambos estão precisando dos meus cuidados e eu os cuido com muito zelo, amor e dedicação, retribuindo todo o zelo, amor e dedicação que sempre tiveram comigo. E, lembrando o belíssimo texto de Carpinejar (leia aqui), eu posso dizer com orgulho e felicidade: eu estou aqui! E sempre estarei.
Tenho compartilhado as vivências e sentimentos sobre o que está acontecendo no meu perfil do Facebook por ser um canal mais imediato e também por ser um canal mais restrito. Mas senti que devia alguma breve explicação sobre a minha ausência por aqui… Para aqueles que lerem, peço que enviem ou sigam enviando boas energias e preces para que os meus amados avós sigam bem e tenham boa saúde porque eles merecem apenas o melhor.
O mundo não mais me pertencia
E era difícil aceitar
Todas as paisagens não admiradas
Todos os livros não lidos
Todos os amores não experimentados
Todas as músicas não ouvidas
Todos os sabores não degustados
Todos os filmes não assistidos
Toda a existência me fora roubada
Injustiçada, mirava com receio o desconhecido
E o que me aguardava
Nada mais poderia fazer
Nada mais sentia ou pensava
Que triste é a finitude
09/08/2012
Ela estava perdida em seus pensamentos. Tão perdida que não sabia em que confiar. Memórias próprias, memórias alheias. Segredos, confidências, mentiras. O que era verdade e o que fora ilusão. Crença e decepção. E a certeza de que era preciso continuar. Mesmo que em vão.
Quanto mais te aproximas, menos te reconheço
Não há nada em teu olhar que remeta ao brilho do passado
Não há em tuas mãos o menor sinal do antigo vigor
E na face envergonhada mal carregas um tímido sorriso
O que teria te acontecido?
Onde terias perdido o senso?
Por que terias vendido a alma?
Ou fui eu que nunca te conheci?