quinta-feira, 4 de junho de 2015

(Um pouco) Das coisas que amo em Buenos Aires

Se fosse fazer uma lista de todas as coisas que eu amo em Buenos Aires, certamente seria interminável, sempre teria mais alguma coisa a acrescentar. Mas não custa tentar; afinal, na minha mente e no meu cotação, essa lista já existe. Então, vamos lá!


Das coisas que eu amo em Buenos Aires:
1. Caminhar pelas ruas
Caminhar por Baires é uma delícia. A cidade é toda plana e muito fácil de mapear e compreender. Caminhar aqui é tão gostoso que nem nos damos conta da distância e tudo acaba parecendo perto. Além disso, é seguro caminhar, inclusive de noite.
2. O metrô - Subte
Andar de subte é uma delícia. Fácil, rápido, barato. E seguro.
3. As livrarias
Uma em cada esquina. 
4. Os cafés
Um em cada esquina. Para beber, comer, conversar, ler, pensar, viver!
5. Os teatros
Um em cada esquina. É possível assistir a um espetáculo diferente a cada noite. Para todos os gostos e bolsos.
6. A arquitetura
Uma atração à parte. Buenos Aires é mesmo a Paris da América do Sul.
7. A vida cultural
Museus, bibliotecas, galerias, centros culturais por toda parte. Sempre há programação variada, exposições e shows interessantes.
8. Os restaurantes
Além da comida ser deliciosa, os horários são bem flexíveis. É possível almoçar perfeitamente às 15 ou 16 horas. E também jantar bem tarde. 
9. As empanadas
Ah, as empanadas... E as melhores da cidade, na minha opinião, são as da La Morada, no Centro, e as do El Sanjuanino, na Recoleta.
10. As medialunas
Outro clássico portenho. Salgadas ou doces, sempre deliciosas. Há muitas opções, mas as mais gostosas, na minha opinião, são as do Café Rivas, em San Telmo.
11. As pizzas
As pizzas são um capítulo à parte. Minhas prediletas são as da Guerrín e as do Los Inmortales, ambas na Corrientes, e as do El Cuartito, na Talcahuano. Meu sabor predileto é napolitana.
12. As parrillas
Bife de chorizo e Ojo de bife são delícias obrigatórias. Minha parrilla predileta, sem concorrência, é El Establo, no Centro.
13. As massas
Buenos Aires teve muita imigração italiana e, portanto, a gastronomia italiana na cidade é forte e muito bem representada. Meu restaurante italiano predileto é o Broccolino, no Centro.
14. As milanesas
Vir a Buenos Aires e não comer milanesas é um pecado. Há várias e deliciosas opções pela cidade. Porém, para comer bem e pagar um bom preço, minha dica é o Paluchino Café, na Riobamba esquina com Avenida Corrientes. Peça uma milanesa napolitana com papas fritas.
15. O doce de leite
Dispensam maiores comentários. Tão delicioso quanto o doce de leite uruguaio.
16. Os vinhos
Vinhos excelentes a excelentes preços. Para todos os gostos. Meus prediletos: Bodega del Fin del Mundo, Pulenta, Nieto Senetier, Catena Zapata, San Felipe... São tantos!
17. O tango
Amo ouvir tango! Acho que é uma trilha sonora que combina com quase tudo na vida. De Piazzolla a Narcotango, (quase) tudo me encanta!
18. Evita
Falem o que quiserem, mas, sim, eu admiro muito a Evita. 
19.  Ricardo Darín
Acho que é o único homem neste mundo capaz de despertar meu lado tiete.
20. Tickets Bs As
Um quiosque que concentra a oferta de espetáculos da cidade e concede um desconto de 50% para os ingressos do dia.
21. O idioma
Acho o espanhol lindo! Gostoso de ouvir e de falar.
22. Canal (à)
Canal de televisão com excelente programação cultural.
23. Feria Puro Diseño
Acontece anualmente, geralmente no final de maio, e reúne o melhor em termos de design e criatividade. Para conhecer as novidades e fazer boas comprinhas.
24. As Tiendas de Diseño (lojinhas)
Inúmeras lojinhas pela cidade que vendem coisas bacanérrimas e com bons preços (se compararmos com os preços do Brasil). Minhas favoritas: Artentino (vários endereços pela cidade - Avenida Callao, Avenida de Mayo, etc), La Aldea (Avenida Santa Fe), Regalalo (Avenida Callao), Oh My Love e Tienda Palacio (Defensa).


Certamente essa lista seguirá aumentando infinitamente porque jamais me canso de Buenos Aires. É meu lugar no mundo. Onde me sinto verdadeiramente em casa. Desde a primeira vez em que pisei o solo portenho, há mais de quinze anos, a cidade me encantou, me conquistou. Foi paixão e amor à primeira vista e se converteu numa relação sólida, pois retorno sempre que posso com regular frequência. Meu sonho, que um dia se tornará realidade, é morar aqui. Sei que vou realizá-lo, é apenas questão de tempo. Nessa atual temporada aqui, percebi mais claramente porque amo Baires. Simplesmente porque aqui se sabe viver. Os portenhos sabem desfrutar a vida. E esse é mais um forte motivo para me identificar. 



Antigamente, (quase) todos costumavam me dizer que meu amor por Buenos Aires acabaria, ou diminuiria, quando conhecesse Paris pois certamente me apaixonaria por Paris. Pois bem, conheci Paris há quatro anos durante minha lua de mel. Realmente, Paris é encantadora e apaixonante. Tem seus muitos encantos e, é claro, eu também voltaria muitas vezes a Paris. Porém, Paris não foi capaz de substituir ou de diminuir meu amor por Baires. Meu lugar no mundo continua sendo Buenos Aires, meu amor continua sendo total e exclusivo de Baires.


E, sempre que se aproxima a hora da partida, como agora, meu coração se entristece. E já começo a fazer planos para a próxima vinda. Afinal, não há nada melhor do que estar onde me sinto em casa!

domingo, 5 de outubro de 2014

Parece um sonho–Mário Quintana

 

Parece um sonho que ela tenha morrido! diziam todos...
Sua viva imagem tinha carne!... E ouvia-se, na aragem,
passar o frêmito do seu vestido...

E era como se ela houvesse partido
e logo fosse regressar de viagem...
- até que em nosso coração dorido
a Dor cravava o seu punhal selvagem!

Mas tua imagem, nosso amor, é agora
menos dos olhos, mais do coração.
Nossa saudade te sorri: não chora...

Mais perto estás de Deus, como um anjo querido.
E ao relembrar-te a gente diz, então:
Parece um sonho que ela tenha vivido!

Mário Quintana - 1953

Trinta dias…

Vóca amada, faz um mês que nos deixaste fisicamente. Sinto muito a tua falta todos os dias e creio que será assim enquanto eu viver. Porém, tenho certeza de que continuamos juntas, de uma outra forma. Depois do teu AVC, já tínhamos aprendido uma nova forma de nos relacionarmos, pois não podíamos mais ter as nossas longas e alegres conversas, sempre divertidas, mas também sérias quando o assunto demandava. Aprendemos a conversar de outra forma. Agora, estamos aprendendo de novo uma nova forma de nos relacionarmos: eu aqui no mundo físico e tu aí no mundo espiritual. Sinto a tua presença sempre e posso sentir a tua doçura e o teu amor, como sempre senti. E sigo conversando contigo todos os dias e também nas minhas orações. Eu só posso agradecer pelos 84 anos saudáveis que tu tiveste e que foram vividos plenamente. Tenho muita dificuldade para entender porque sofreste esse AVC e porque tiveste que passar por tantas limitações depois disso, mas imagino que deva existir alguma explicação além do meu entendimento. Agradeço por ter compartilhado contigo os meus 36 anos de existência e por ter tido sempre o teu amor, o teu carinho, o teu cuidado, o teu apoio, a tua amizade. Agradeço por ter recebido tantos ensinamentos, uma bela herança que levarei sempre comigo. Agradeço por ter sido sempre grata a todo esse amor e por ter tido a oportunidade de te retribuir te dando também muito amor em todos os momentos. Nos deixaste aos 85 anos, há um mês. Deixaste um vazio; porém, sempre o preencho com o nosso amor, que vai me amparar por toda a minha vida, e com todos os teus ensinamentos. Tenho certeza de que continuamos juntas e sempre continuaremos. Essas fotos contam um pouquinho da nossa história e sempre que as vejo lembro com ainda mais força de todos os bons momentos que vivemos e fico feliz por ter esse grande legado de belas e felizes lembranças. Te amo!

PS.: As fotos referidas no texto foram publicados no meu perfil pessoal do Facebook.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Sete dias…

Hoje faz uma semana que minha amada avó deixou o plano terrestre. Como no dia da sua partida, chove. Chuva que ela tanto aprecia e que me ensinou a também apreciar. Chuva que é bênção. Chuva que nos une, assim como o amor, a gratidão e a saudade. Saudade que é a prova de que tudo valeu a pena e de que o amor permanece. Amor que ampara e guia. Amor que traz doces e felizes lembranças. Amor que dá continuidade aos sábios ensinamentos transmitidos. Amor e gratidão que inunda o coração. Amor e gratidão que sempre existirão e que iluminam o caminho. Saudade, amor e gratidão que habitam minha alma e guiam os meus passos. Vó, minha vóca, sinto a tua presença que sempre me acompanhará. Jamais conseguirei falar de ti no passado, pois tudo és e seguirás sendo. Minha luz, meu amor maior. E estás sempre comigo. Sinto teu doce olhar, teu belo sorriso, teu afetuoso carinho, tua bondade e teu amor. Estás em mim e estou em ti. Para sempre. Te amo!

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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Um anjo retorna ao céu

Hoje nos deixou a mulher mais linda do mundo, a dona do olhar mais doce, do sorriso mais belo e contagiante, da alma mais pura, bondosa e generosa. Hoje o melhor ser humano partiu, deixando um imenso vazio, uma saudade eterna. O mundo fica mais triste, menos colorido. Um pedaço de nós vai com ela e um pedaço dela fica conosco. Sei que ela sempre estará por perto, nos olhando, nos cuidando, nos protegendo e nos amando, como sempre fez. Ela é o nosso exemplo, nossa base, nosso amor maior, nossa mestra. Sempre será. Ela agora está envolta em muita luz, livre de qualquer desconforto ou dor, cercada de anjos, anjos como ela. Nós só temos a agradecer por termos tido a honra, a sorte, a bênção e a felicidade de termos convivido com ela, de termos aprendido com ela, de termos dado e recebido tanto amor. Seguiremos sempre honrando tudo o que ela nos ensinou. Nosso amor, imenso, incondicional e infinito, continuará existindo, estejamos nós onde estivermos, assim como a nossa gratidão.

Vó, o amor que tu sempre me deste é que fez de mim quem sou, é esse amor que me sustenta e me ampara e assim será enquanto eu viver. Estaremos sempre juntas. Tu vives em mim, no meu coração, na minha alma. Tenho muito orgulho de ter sido tua neta, tua filha, tua amiga, tua parceira, tua cúmplice, tua confidente. Tenho muito orgulho de ter herdado tanto de ti: o amor pela vida, o amor pelas pessoas, a simplicidade, a bondade, a alegria, o prazer da leitura, o gosto pela cozinha, tantas e tão belas heranças. Tenho muito orgulho de ser parecida contigo em tantas coisas. Não chego nem perto de ser tudo o que és, mas és o meu exemplo sempre e, sendo eu um pouco parecida contigo, para mim, já é motivo de imensa felicidade. Te amo mais do que tudo e sempre vou te amar! Felicidade é ter estado ao teu lado durante esses meus 36 anos de vida! Sempre, em todos os momentos, ao teu lado. Muito rimos e choramos juntas, muito conversamos, sempre segurando a mão uma da outra. Seguiremos juntas. Sempre. Te amo, minha vóca! Te agradeço por tudo!

Encanta o céu, levando a tua doçura, bondade e generosidade, assim como encantaste a todos aqueles que tiveram o privilégio de te conhecer e conviver contigo durante os teus 85 anos de vida vividos de forma tão bela e exemplar, nossa Erciliany amada!

Avisamos aos amigos e familiares que o velório ocorrerá neste sábado, a partir das 10 horas, no Jardim da Paz, em Porto Alegre, na Capela A, sendo o sepultamento às 17 horas.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Uma experiência arrebatadora

Faz tempo que não venho compartilhar minhas impressões sobre algum espetáculo, apesar de estar sempre presente na platéia conferindo o que rola por puro amor e prazer. Ontem, porém, passei por uma experiência arrebatadora ao assistir à estréia de “A Vertigem dos Animais Antes do Abate” no Theatro São Pedro. Tão arrebatadora que senti necessidade de compartilhar.

Não via um trabalho teatral tão bom há tempos. É notória e emocionante a entrega dos atores às personagens. Tanto que eu imagino que eles terminem o espetáculo esgotados tanto física quanto emocionalmente. E nós, a platéia, chegamos ao fim do espetáculo encantados, arrebatados.

Infelizmente, na saída do teatro, no elevador da garagem, alguns casais que desceram conosco comentavam negativamente a peça. Inclusive, perguntaram a mim e ao meu marido se havíamos gostado ao que prontamente respondi que sim, muito. E logo vi narizes torcidos para mim… Os comentários diziam que a peça era doentia e uma das senhoras disse que nem ia conseguir dormir direito. Uma pena que não tenham conseguido captar a mensagem…

Realmente o espetáculo pode ser chocante para algumas pessoas pois trata da selvageria humana, daquilo que nos é mais primitivo, dos instintos. No entanto, o que o público precisa entender é que o fato de tais situações serem encenadas não significa que está sendo feita uma defesa desses comportamentos. Apenas está sendo retratada, como já disse, a selvageria humana, nosso lado mais primitivo. Talvez, se não tivéssemos tantos filtros, se não fôssemos civilizados, se todas as regras,  se todos os valores morais, se o ego e o superego saíssem de cena, nós agíssemos assim. Ou seja, seria o reinado do id. Talvez essas poucas pessoas que desceram conosco no elevador do estacionamento não tenham conseguido fazer essa leitura. Sinto muito por elas. Eu dormi muitíssimo bem, ainda encantada e tocada pelo belíssimo trabalho a que tinha assistido. E é justamente essa a maior beleza do teatro: tocar o público, provocá-lo, emocioná-lo. Missão cumprida com louvor!

A peça mostra uma tragédia grega (literalmente, com todos os elementos típicos) porém contemporânea. As atuações dos atores são brilhantes! A entrega dos atores às personagens é total e linda de se testemunhar. Inclusive, lembro de ter pensado durante o espetáculo no quanto era impressionante ter sido reunido um elenco tão perfeito, de tamanha qualidade. Atores bastante conhecidos do público, como Marcelo Ádams e Ida Celina, e outros nem tanto (pelo menos, menos conhecidos para mim), mas todos excepcionais e talentosíssimos! Cada um ocupando o seu devido lugar e, assim, fazendo um belíssimo trabalho de equipe, tal qual o teatro deve ser.

A montagem está mesmo maravilhosa! O cenário é simples e dinâmico, cumprindo seu papel e deixando que as emoções exploradas pelo texto e pelas brilhantes atuações reinem absolutas. A direção é de Luciano Alabarse, que dispensa maiores comentários ou apresentações, e de Margarida Peixoto. Para completar, a música casa perfeitamente com a ação na bela voz de Muni e com o piano de Everton Rodrigues.

O texto original é do grego Dimitris Dimitriádis e nunca havia sido montado no Brasil. Só o título já conquista: “A Vertigem dos Animais Antes do Abate”, mas havia tantas passagens interessantes que eu juro que senti vontade de abrir a bolsa, puxar papel e caneta e anotar algumas frases. Um exemplo: “As perguntas são os alicerces do mundo. Por isso mesmo devem ficar sem respostas.”

Eu amei! Dou nota máxima, recomendo e assistiria outras vezes com toda a certeza. Felicidade é teatro de qualidade!

Meu único pitaco seria quanto ao desfecho do espetáculo… Minha cabeça ficou imaginando que seria bastante interessante que no momento em que o personagem Nilos Lákmos diz a seguinte fala, na beira do palco, encarando o público: “Eu sou Nilos Lákmos. E vocês quem são?”, poderiam se apagar todas as luzes e terminar o espetáculo. Acho que seria impactante, arrebatador mesmo (mas, claro, é apenas minha humilde, leiga e delirante opinião). Afinal, para mim, esse é o grande lance da peça: você domina os seus demônios ou permite que eles dominem você?

Daniela Annes Spera – Porto Alegre, 04 de julho de 2014

#avertigemdosanimaisantesdoabate

 

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A Vertigem dos Animais Antes do Abate

Texto de Dimitris Dimitriádis

Direção de Luciano Alabarse e Margarida Peixoto

Elenco: Marcelo Ádams, Ida Celina, Elison Couto, Pingo Alabarce, Gustavo Susin, Áurea Baptista, Mauro Soares, Plínio Marcos Rodrigues, Alexandre Magalhães e Silva

Participação Especial: Muni e Everton Rodrigues

Theatro São Pèdro – de 03 a 13 de julho de 2014