| Dannes, num longíquo verão da década de 80, em Rainha do Mar (antes de adotar Capão Novo como sua praia de veraneio favorita no litoral norte gaúcho) |
Além de satisfazer o desejo de escrever que me consome (de forma egoísta, não nego), e, é claro, de demonstrar o quanto sou moderna (afinal, é um blog!), o objetivo aqui é tratar dos mais diversos temas e assuntos, sem nenhum critério rígido estabelecido, dando vazão apenas à emoção e à razão (será que, em algum momento, essas duas andam juntas?), e compartilhar tudo isso com as pessoas amigas e queridas e com quem mais quiser ler e acompanhar o que for escrito.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Dia da Saudade
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Post it: José Saramago
"O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas covardias do cotidiano, tudo isso contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for suscetível de servir os nossos interesses."
José Saramago, 2009
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Reflexão Natalina
Esse ano, me libertei! Não decorei a casa para o Natal, não organizei a festa da família. E quem me conhece sabe o quão libertador isso significa. Sim, pois eu sempre adorei o Natal, sempre decorei todas as peças da casa e sempre organizei a festa de Natal. Porém, esse ano, por algum motivo que não sei explicar e nem procurei entender, eu simplesmente não fiz a menor questão de nada disso. Simplesmente não estava com o famoso espírito natalino.
Que a data se tornou extremamente comercial todos já sabemos. Porém o que sempre me toca nessa época é o fato de todos pararem por um momento e refletirem e valorizarem o que realmente importa nessa vida. E, para mim, é estar com quem se ama. Seja em presença física, seja em espírito ou em pensamento. Essa minha tradição foi preservada, mesmo sem pinheiro montado, mesmo sem peru na ceia. Estive fisicamente com os familiares amados com quem pude estar; estive em pensamento com todos os familiares e amigos queridos que estavam fisicamente distantes e estive em espírito com os familiares e amigos que já deixaram a vida terrena. Abracei a todos, dediquei meu carinho.
Acho curioso que a vida vai mesmo nos mudando, nos moldando, embora certas coisas jamais se modifiquem.
Creio que não é o fato de emitir as palavras “Feliz Natal” que dê valor a qualquer coisa. O que importa é o que sentimos. É a minha forma de encarar a vida. Trato a “religião” assim. Grifo a palavra religião com aspas porque não sei bem ao certo em qual delas acredito. Acho que acredito na minha religião, na natureza, em energia. Não importa a qual santo se venera, em qual templo se pisa ou se ora. Não importa nem se há santo ou templo. O que importa é o que sentimos e quais são nossas ações pela vida. Praticar o bem. Isso é o que importa. Praticar o bem para mim, para o outro, para a natureza, para o mundo. Essa é a minha religião, creio.
Portanto, amigos, me perdoem se não telefonei ou se não escrevi desejando “Boas Festas”, pois lancei meus votos ao universo mirando cada um de vocês e sei que os bons ventos se encarregaram de levá-los até os seus destinos. Pois o que realmente importa é que, em meu coração e em minha alma, desejei todo o melhor a todos vocês, como sempre faço.
Espero que todos tenham desfrutado do Natal valorizando tudo o que lhes é mais valioso. E que essa valorização possa ocorrer ao longo de cada dia do ano que se aproxima. Que venha 2013!
domingo, 23 de dezembro de 2012
Beleza em todas as formas
Um dos projetos mais bacanas de 2012 é o Apartamento 302, trabalho de uma beleza ímpar da autoria do fotógrafo brasileiro Jorge Bispo.
Jorge Bispo é carioca, formado em Artes Plásticas pela UFRJ, professor da Escola de Fotografia do Ateliê da Imagem e trabalha com retratos, ensaios, moda e publicidade. Bispo cresceu cercado pela arte, pois vem de uma família de atores e diretores de teatro, e começou a despertar o gosto pela fotografia ainda na adolescência.
O projeto Apartamento 302 consiste em fotografar mulheres comuns nuas. O cenário é clean, composto somente pelas paredes de um apartamento. Nada de corpos perfeitos, nada de celebridades, apenas a beleza real, verdadeira, crua.
É um trabalho belíssimo, revelador e libertador, pois nos mostra que há beleza em todas as formas. Toda mulher é bela. É um trabalho poético. Vemos mulheres distantes do cruel padrão de beleza imposto pela mídia, pela sociedade, orgulhosas de seus corpos, felizes, exibindo sorrisos lindos. E percebemos que a beleza não pode ser rotulada, que se manifesta em todas as formas e em todos os tamanhos, sejam grandes ou pequenos.
Parabéns a Jorge Bispo pelo seu belo trabalho e a todas as suas modelos, mulheres belas e corajosas!
Trabalho semelhante realiza o casal de fotógrafos norte americanos Matt Blum e Katy Kessler com seu The Nu Project. Blum e Kessler rodam ao mundo fotografando mulheres comuns nuas. O conceito é o mesmo do projeto de Bispo, porém o cenário contém mais elementos e as fotografias podem ser coloridas ou em preto e branco. Já houve uma edição do projeto no Brasil realizada em outubro desse ano. A idéia dos fotógrafos é lançar um livro com essas imagens. A beleza, a poesia e a importância do The Nu Project merece os mesmos elogios e comentários feitos ao Apartamento 302.
Façam um passeio pela galeria de imagens de ambos os projetos e se encantem com a beleza democrática e corajosa dessas mulheres. E vamos torcer para que existam cada vez mais iniciativas como essas. Que cada vez mais as mulheres possam se libertar dos padrões cruéis que lhe são impostos e possam ser capazes de se amar exatamente como são.
Parabéns aos fotógrafos que nutrem a auto estima e o amor próprio dessas mulheres fazendo com que se orgulhem de suas formas, sejam pequenas ou grandes, e se sintam belas! O mundo agradece pela oportunidade de exercer um olhar mais benevolente para as diferenças e pela oportunidade de entendimento e compreensão da beleza real.
A beleza existe em todas as formas!
Todos os direitos das imagens reservados aos fotógrafos Jorge Bispo, Matt Blum e Katy Kessler.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Deus existe e é piadista
Cena 1
Jovem casal vai ao shopping fugindo da doméstica conversadeira. Sentam na área de alimentação para tomar um suco.
Mulher: Percebo que estou gostando cada vez menos de interagir com as pessoas. A comunicação é muito melhor quando virtual. Por isso, sou fã de e-mails.
Marido: Estás virando uma misantropa.
Cena 2
Após visitarem algumas lojas e efetuarem algumas compras, o casal resolve almoçar. Na mesma área de alimentação, após ter pedido seu peixe com legumes, a mulher procura uma mesa para sentar-se enquanto o marido se serve no buffet.
No meio do alvoroço, a mulher encontra uma mesa e se senta. Em menos de um minuto, o senhor sentado à mesa ao lado puxa conversa.
Senhor: Nossa, quanto movimento nesse shopping. Primeira vez que venho aqui, mas estou surpreso com o movimento.
A mulher sorri e concorda.
Senhor: Sabes que eu gosto de pescar? Esses dias, fui pescar. Não vais acreditar, pesquei uma tartaruga. Meus amigos perguntaram que tamanho tinha a bicha e eu, muito brincalhão, respondi que era do tamanho de um fusca.
A mulher, que detesta ser indelicada, sorri e murmura qualquer coisa. Nesse momento, apreensiva, torce para que o marido chegue logo com esperança de que ponha fim à conversação.
O marido, enfim, chega, mas o senhor não se intimida e continua conversando. Conta que é motorista profissional, que está aposentado, que gosta de viajar. Narra diversas aventuras da época em que cruzava o estado dirigindo um ônibus de turismo.
A mulher, a essas alturas, já teve que responder ao senhor algumas vezes, sempre sorrindo. O marido também não teve muita escolha e se integrou à conversa. E ambos almoçando enquanto o vizinho conversador tomava calmamente um chopp e contava suas histórias.
Findo o almoço, a mulher o marido se despedem do vizinho de mesa que lhes deseja boas festas. Retribuídos os votos, a mulher e o marido se afastam. A mulher já convencida de que Deus existe e é piadista.
…
Teu nome está em todas as ruas
Teus olhos, em todas as faces
Tuas palavras invadem meus ouvidos
Já nem sei mais onde estou
Me fazes perder todos os sentidos
Buenos Aires, 18 de junho de 2012 (04h44m)
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Na Cabeceira: Eduardo Galeano
Entre os livros que estão habitando a minha cabeceira ultimamente, está o “Mulheres”, de Eduardo Galeano, da coleção L&PM Pocket.
Compartilho um dos textos do livro que me tocou pela beleza e sensibilidade.
“Conversamos, comemos, fumamos, caminhamos, trabalhamos juntos, maneiras de fazer o amor sem entrar-se, e os corpos vão se chamando enquanto viaja o dia rumo à noite.
Escutamos a passagem do último trem. Badaladas no sino da igreja. É meia-noite.
Nosso trenzinho próprio desliza e voa, anda que te anda pelos ares e pelos mundos, e depois vem a manhã e o aroma anuncia o café saboroso, fumegante, recém feito. De sua cara sai uma luz limpa e seu corpo cheira a molhadezas.
Começa o dia.
Contamos as horas que nos separam da noite que vem. Então, faremos o amor, o tristecídio.”
Para inventar o mundo cada dia – Eduardo Galeano