segunda-feira, 13 de junho de 2011

Post It: Fernando Pessoa

Há 123 anos, mais precisamente em 13 de junho de 1888, nascia em Lisboa, Fernando Antonio Nogueira Pessoa, ou simplesmente Fernando Pessoa, escritor e poeta.

Fernando Pessoa nos deixou como legado vasta obra, produzida muitas vezes sob heterônimos. Diferentemente dos pseudôminos, Pessoa criava personalidades poéticas complexas, identidades falsas que acabavam por se tornar “verdadeiras” através de sua arte. Pessoa criava todo um personagem com uma história de vida própria. Entre seus heterônimos mais famosos estão Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro.

Como uma pequena homenagem, transcrevo aqui um dos poemas que considero mais belos, assinado por Ricardo Reis, uma das muitas facetas de Pessoa.

 

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio

Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos

Que a vida passa e não estamos de mãos enlaçadas

(Enlacemos as mãos)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida passa

E não fica, nada deixa e nunca regressa

Vai para um mar muito longe, pára ao pé do Fado,

Mais longe que os deuses

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos

Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio

Mais vale saber passar silenciosamente e sem desassossegos grandes

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz

Nem invejas que dão movimento demais aos olhos

Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria, e sempre iria ter ao mar

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,

Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias

Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro

Ouvindo correr o rio e vendo-o

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as no colo

E que o seu perfume suavize o momento

Este momento em que sossegadamente não cremos em nada

Pagãos inocentes da decadência

Ao menos se for sombra antes lembrar-te-ás de mim depois

Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova

Porque nunca nos enlaçamos as mãos, nem nos beijamos

Nem fomos mais do que crianças

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio

Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti

Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim à beira do rio

Pagã triste e com flores no regaço

sábado, 4 de junho de 2011

Musée Rodin, Paris

Quem me conhece, sabe da admiração que eu tenho por Camille Claudel. Não que eu não admire o trabalho de Auguste Rodin, mas, para mim, Claudel é insuperável. Além do talento fenomenal, essa mulher tem uma história muito interessante, embora sofrida, dolorosa. Camille não se curvou às convenções sociais de sua época, lutou por sua arte, se afastou do homem que amou loucamente por achar que merecia mais do que ser apenas sua amante. 

Apesar do sentimento de rejeição em relação à sua mãe que desejava ter tido um filho homem para substituir o que recém havia perdido quando Camille nasceu e das expectativas elevadas de seu pai que estimulou a sua arte, ela não hesitou e criou obras belíssimas que nos deixou como legado. 

Com Rodin, Camille experimentou um amor intenso, profundo, tórrido. Ambos se admiravam mutuamente e impulsionaram o processo criativo um do outro. Foi uma fase frutífera, apenas não rendeu o filho que ela tanto desejava. Com Rodin, Camille experimentou novamente sentimentos de rejeição: primeiro, porque seu trabalho ficava injustamente à sombra do dele e, depois, porque Rodin jamais deixou a esposa, Rose Beuret.
Por mais que tenha vivido intensamente, diante de todas essas dores, Camille não resistiu e sucumbiu à loucura, terminando a sua vida tristemente internada em um hospício, rejeitada por sua família e por seu amor. Entretanto, no meio de sua dita loucura, aposto que guardava uma sanidade e uma dignidade maiores do que muitas pessoas de sua época.

Como vocês sabem, estou vivendo a Sensacional Lua-de-mel em Paris (maiores informações nos blogs O Casal Sensacional e Casamento Sensacional). Um dos pontos altos, muito esperado por mim, era a visita ao Musée Rodin, pois lá, além das belas obras de Rodin, se encontram muitas das obras da minha adorada Camille Claudel.

Devo confessar que, apesar da minha resistência a Rodin (talvez meramente emocional, por achar que ele não tratou Claudel como ela merecia), ao ver as suas obras pessoalmente, tive que admitir que ele era bom no que fazia. Mas, ainda assim, prefiro Claudel.

O museu funciona na casa onde Rodin viveu seus últimos anos e é muitíssimo bem organizado. Há guias virtuais (auditivos) em várias línguas que facilitam a visita e trazem informações valiosas acerca das obras. O lugar é belíssimo. A construção é majestosa, os jardins são magníficos e as obras de arte completam o esplendor da paisagem.

Após já estar maravilhada por diversas obras importantes de Rodin expostas nos jardins do museu (A Porta do Inferno, O Pensador), iniciamos a visita à parte interna. Passamos por duas salas, dobramos à direita e o mundo parou. Lá estava ela, A Idade Madura, belíssima, ao alcance das minhas mãos e eu paralisei. Não conseguia me mover, não conseguia desviar o olhar dela e senti as lágrimas correrem pelo meu resto. Não é vergonha nenhuma confessar a emoção que me invadiu. Pelo contrário, é uma sensação maravilhosa que eu gostaria que todos tivessem a oportunidade de experimentar. A emoção que aflora quando algo nos toca profundamente. Desse momento em diante, foi deleite puro: A Pequena Castelã, A Valsa, Sakountala, Clotho. 

Estão lá também o busto que ela esculpiu de Rodin e o busto de Paul Claudel, seu irmão, com quem ela tinha uma bela e profunda ligação desde pequena e que lhe servia como um bálsamo. Paul também possuía uma veia artística e escreveu diversos poemas.

Há outras tantas obras belas de autoria de Rodin no museu, e importantes, como O Beijo. Notáveis, sem sombra de dúvida. Porém, para mim, o que me tirou o fôlego verdadeiramente foram as obras de Camille.


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A Idade Madura

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Dá para perceber a minha felicidade, né?

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Felicidade genuína, parecendo uma criança, com A Pequena Castelã

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Sakountala

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Rompendo o silêncio para denunciar o péssimo atendimento da Caixa Econômica Federal

Tagarela andava muda. Muda virtualmente, pois fisicamente é impossível…

Os preparativos de duas festas de casamento (que foram absolutamente sensacionais!!!) roubaram-me todo o tempo e, exausta, eu não estava conseguindo escrever no blog.

No entanto, agora, em plena lua-de-mel, rompo o silêncio para colocar a boca no trombone. Inevitável, pois é o que me é intrínseco a cada vez que testemunho ou vivencio uma situação absurda.

E, antes de mais nada, preciso dizer que me dói fazer essa denúncia, essa crítica, pois tenho (ou tinha…) uma relação afetiva com a Caixa. Minha mãe trabalhou lá a vida toda, até se aposentar. Eu cresci indo visitá-la na Caixa, freqüentava a APCEF (Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal), vivia entre os colegas de trabalho da minha mãe. Mais tarde, minha tia também começou a trabalhar na Caixa, onde permanece até hoje. Eu mesma prestei serviços como terceirizada na Caixa no início da minha graduação em Direito. E sou cliente da Caixa desde 1997.

Agora, lamentavelmente, vamos ao ocorrido. Na França, em lua-de-mel, tive um problema com minha senha de acesso da Caixa. Tentei contato com a minha agência em Porto Alegre que me informou que eu deveria pedir nova senha através de um telefone 0800. Ocorre que é impossível efetuar uma ligação telefônica da França para um número 0800 no Brasil.

Revirei a página da Caixa na internet e liguei para vários números de atendimento, inclusive o de atendimento para clientes no exterior, onde falei com a atendente Silmara que demorou para entender o meu problema, mas, por fim, me informou ter solicitado uma nova senha. Mas adivinhem? A nova senha estaria disponível em 12 (doze!!!) dias úteis. Ou seja, de nada adiantou, pois de que serve uma senha que só poderei usar em doze dias se preciso dela agora???

Revoltada, indignada, mas mantendo a educação que me é inerente, pedi para falar com um supervisor. Então, veio à linha a supervisora Michele, a quem tive que relatar novamente toda a história. Esta supervisora me passou outro número telefônico para contato.

Na nova ligação, para uma central de atendimento estabelecida em Salvador (a julgar pelo DDD 71), a atendente Denilda, muito atenciosa e profissional, resolveu meu problema em 05 (cinco!) minutos. Louvada Denilda!!! A única que realmente me ajudou nessa história toda. Competente Denilda!

Mas sabem o que me entristece? É a certeza de que a Denilda provavelmente é uma atendente terceirizada que ganha um mísero (no máximo, dois) salário mínimo. Merecia ganhar o salário da gerente da minha agência que nada, ou pouco, fez para efetivamente me ajudar.

domingo, 8 de maio de 2011

Homenagem ao Dia das Mães

Toda mulher tem uma porção mãe, mesmo que não seja mãe. A maternidade está tão ligada ao feminino que é quase impossível que uma mulher não tenha esse talento, mesmo as que optam por não ter filhos. Mas, veja bem, eu disse quase impossível. Afinal, nada é impossível nesse mundo.

As mães e os pais têm grande relevância nos seres humanos que nos tornamos, mas, obviamente, não são somente eles que exercem essa influência. E também não precisam ser mães ou pais biológicos. O afeto vale muito mais que o sangue, pois não há relação sem investimento e sem construção.

Eu sou uma felizarda, pois tenho duas mães: a minha mãe e a minha avó materna. E é a elas, especialmente, que eu presto homenagem hoje. Foram elas que me ensinaram tantas coisas importantes e que me ajudaram a ser a mulher que sou, a cidadã que sou. A elas, o meu mais sincero agradecimento. Com todo o meu amor!

Feliz Dia das Mães! 


Daniela e Vó
Eu e minha avó materna
S - Daniela
Eu e minha mãe

Pelos Palcos: Pina Bausch

Teatro, arte, dança e boa companhia! Tive tudo isso no dia 23 de abril de 2011, assistindo ao espetáculo TEN CHI, de Pina Bausch Tanztheater Wuppertal, no Teatro do SESI. Delícia absoluta!

Pina Bausch dispensa apresentações e comentários. Fiquei muito feliz em ver que a companhia de dança que leva seu nome dá continuidade ao seu trabalho, conservando a sua marca, após Pina ter nos deixado para encantar os céus.

O espetáculo é de uma beleza peculiar. Mas não é para amadores. É preciso realmente apreciar o estilo inconfundível da coreógrafa alemã. São 17 bailarinos no palco dançando e explorando aspectos da cultura japonesa com humor e delicadeza num cenário belíssimo e com excelente trilha sonora que inclui Norah Jones e Gustavo Santaolalla. Além de tudo isso, fragmentos de textos de José Saramago e Bertold Brecht.

Sim, o espetáculo é longo. Mais um motivo para que eu afirme que não se trata de uma obra para amadores… Enquanto alguns espectadores cochilavam em suas cadeiras, outros (como eu!) estavam com os olhos vidrados em todos os detalhes.

Ten Chi, que significa Terra e Céu, foi inspirado na cidade japonesa de Saitama. A companhia, hoje dirigida por Dominique Mercy e Robert Sturm, colaboradores de Pina Bausch, possui integrantes brasileiros, sendo que a bailarina Regina Advento, na companhia desde 1993, se apresenta em Ten Chi. (E, não é porque ela é brasileira, é uma das mais competentes bailarinas no palco.)

Fui com o maridão e uma querida amiga nossa, a Dê, autora das fotos que ilustram esse texto. E ainda encontramos um amigo, acompanhado de sua esposa, que comentou ter certeza de que nos encontraria por lá. Por que será, né? Dannes habitué! rsrsrsrs

Infelizmente, compramos os lugares na véspera do espetáculo e só conseguimos mezanino. Eu estava bastante preocupada, achando que a visibilidade não seria boa, mas, durante o espetáculo, eu estava tão absorvida e envolvida que nem percebi ou lembrei que estava no mezanino.

Ten Chi já foi uma prévia do que está por vir no 18º Porto Alegre Em Cena que ocorrerá em setembro próximo. Mal posso esperar!

 

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P.S.: Fotos de autoria da minha querida amiga e excelente fotógrafa Denise Bandeira!

domingo, 10 de abril de 2011

Para Ver e Rever: A Malvada (All About Eve)

all about eve

 

All About Eve (ou A Malvada, em português) é um filme excelente, com uma trama sensacional, um figurino lindíssimo, grandes interpretações e um desfecho genial.

Eve Harrington (Anne Baxter) se infiltra, com um ar ingênuo e quase angelical, na vida de Margo Channing (Bette Davis), uma grande estrela do teatro que está envelhecendo. Com o desenrolar da história, se percebe que Eve deseja, na verdade, ser Margo e, para isso, não poupa esforços e passa por cima de tudo e todos, revelando Eve como mestre em manipulação.

anne baxter eve

A malvada Eve tem como aliada a fragilidade de Margo que está abalada emocionalmente por estar envelhecendo e achar que pode ser facilmente descartada tanto na vida profissional quanto na vida pessoal.

bette davis margo

A história é narrada por Karen Richards (Celeste Holm), melhor amiga de Margo, em estilo flashback, que vai revelando aos poucos os detalhes da ascensão de Eve ao estrelato às custas de muita maldade.

celeste holm karen

Marilyn Monroe também aparece no filme como a aspirante a atriz Claudia Casswell, sendo sua participação pequena, mas notável.

marilyn monroe casswell

O filme, de 1950, dirigido por Joseph L. Mankiewiicz, teve 14 indicações ao Oscar e recebeu 6 estatuetas. Absolutamente merecidas!

Espirituoso e perspicaz, com elenco renomado, All About Eve é uma delícia! Está entre os meus eleitos para ver e rever!

E, diga-se de passagem, namoro quase todos os modelitos que as atrizes desfilam no filme. Por que será que não nos vestimos mais assim? Eu quero!

 

All about eve

Brincando de fotógrafa

Eu faço muitas coisas que considero bacanas: escrevo, blogo, cozinho, organizo e decoro. Mas há outras tantas coisas que eu gostaria de saber fazer. Vejamos: costurar e fotografar. Creio que essas sejam as duas coisas que andam pela minha mente ultimamente.

Costurar certamente será uma tarefa mais complicada, pois o máximo que sei fazer é pregar botões e fazer pequenos remendos. No entanto, vasculhando os meus arquivos de fotos, descobri que eu até faço umas fotos bacanas de vez em quando. O que vocês acham?

Uma bela árvore em frente à Fundação Iberê Camargo na minha amada Porto Alegre

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Um gato (muito parecido com meu falecido e amado Bock) em Colonia Del Sacramento, Uruguai:

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Colonia Del Sacramento, Uruguai (um cenário que ajuda muito!):

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Colonia Del Sacramento, Uruguai, mais uma vez (Sim, eu adoro essa cidade! E árvores também!):

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Claro que um curso de fotografia me faria muito bem, mas até que eu me viro.

 

P.S.: Que saudades do Uruguai! Belo e admirável país. Amo viajar!!!